17/5/1536: o casamento de Ana Bolena e Henrique VIII da Inglaterra é dissolvido

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Ana Bolena foi a segunda esposa do rei Henrique VIII e Rainha Consorte (cônjuge do monarca) do Reino da Inglaterra de 1533 até a anulação de seu casamento dois dias antes de sua execução. Seu casamento com Henrique VIII foi polêmico, do ponto de vista político e religioso, e resultou na criação da Igreja Anglicana. 

O casamento de Henrique com Bolena e sua execução subseqüente fizeram dela uma figura-chave na convulsão política e religiosa que foi o começo de A Reforma inglesa.

Gravura do momento em que Ana Bolena recebeu a notícia, de Henrique VIII, de que seria decapitada. A cena pode não ter ocorrido na realidade.

Em 1532, em Calais, Henrique VIII e Ana Bolena tornaram-se amantes. E em 25 de janeiro de 1533, antes do anúncio oficial da dissolução do casamento com Catarina de Aragão, Henrique casou-se secretamente com Ana, no Palácio de Whitehall. Esta pressa pode ter estado relacionada com uma gravidez de Bolena e a necessidade de Henrique VIII de não deixar sombra de dúvidas quanto à legitimidade de um herdeiro.  

Ana foi coroada Rainha de Inglaterra numa cerimônia na Abadia de Westminster e Henrique VIII foi excomungado pelo Papa Clemente VII por afrontar o direito canónico, declarando que seu casamento com Catarina de Aragão continuava válido. Em 7 de setembro de 1533, Ana deu à luz uma menina, a futura rainha Elizabeth I de Inglaterra.

A falta de um herdeiro homem preocupava Henrique VIII, pois a continuidade de seu reinado continuava em risco. As gestações subsequentes acabaram em abortos espontâneos e em nascimento de natimortos, o que apenas aumentavam a preocupação do rei.

Ana Bolena

Em 2 de maio de 1536, após cerca de 1000 dias como rainha consorte da Inglaterra, Ana foi presa na Torre de Londres, acusada, juntamente ao seu irmão Jorge, de adultério, incesto e alta traição. Cinco homens, incluindo o seu irmão, foram também presos e interrogados sob tortura. Baseado nas confissões resultantes, o Parlamento condenou Ana Bolena por traição a 15 de maio. O casamento com Henrique VIII foi anulado dois dias depois, por razões desconhecidas, uma vez que os registros foram destruídos.

Um último recurso da rainha para retardar a consumação da execução, ainda esperançosa de um perdão real por parte de Henrique VIII, quando informada da sua execução, Ana Bolena fez chegar a Henrique VIII uma exigência – não aceitaria ser morta por um carrasco inglês, que utilizava o machado para a decapitação. Exigia a “importação” de um carrasco francês, pois estes usavam a espada. Para justificar a sua exigência, teria dito “uma Rainha da Inglaterra não curva a cabeça para ninguém e em nenhuma situação”, pois as execuções com a espada eram feitas com a vítima ajoelhada, mas com a cabeça erguida

Diz-se que o poema O Death Rock me Asleep foi escrito por Ana, enquanto aprisionada na Torre. Porém, também pode ter sido escrito por seu irmão, Jorge. A escrita do poema evidencia que ela pode ter tido esperanças de que a morte acabaria com o seu sofrimento.

O death! rock me asleep,       

Bring me on quiet rest;

Yet pass my guiltless ghost

Out of my careful breast:

Toll on the passing bell,

Ring out the doleful knell,

Let the sound of my death tell,

For I must die,

There is no remedy,

For now I die

My pains who can express?

Alas! they are so strong,

My dolor will not suffer strength

My life for to prolong:

Toll on the passing bell, etc.

Alone, in prison strong,

I wail my destiny,

Wo worth this cruel hap that I

Should taste this misery:

Toll on the passing bell, etc.

Farewell my pleasures past,

Welcome my present pain;

I feel my torments so increase

That life cannot remain.

Cease now the passing bell,

Rung is my doleful knell,

For the sound my death doth tell,

Death doth draw nigh,

Sound my end dolefully,

For now I die.

A gravura mostra a decapitação de Ana Bolena, e Henrique VIII à esquerda com a terceira esposa seguinte Jane Seymour à direita; porém na realidade os últimos não compareceram na execução da ex-rainha da Inglaterra; 1630 por J.T De Bry

A ascensão e queda de Ana Bolena, considerada a mais controversa rainha consorte da Inglaterra, inspiraram inúmeras biografias e obras ficcionais.

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