Todo poder aos CAs!

Compartilhar:

Com três ou quatro anos de atraso, o MAIS, grupo surgido de um racha dentro do PSTU, publicou em seu sítio eletrônico a seguinte avaliação sobre o golpe: o golpe parlamentar interrompeu o processo de experiência do movimento de massas com o PT e Lula e seu programa de alianças com as grandes empresas e seus partidos.”

A frase está em um balanço do MAIS sobre o ato do dia 10 de maio em Curitiba, data em que a mobilização popular impulsionada pela política do Partido da Causa Operária (PCO) impediu a prisão arbitrária do ex-presidente Lula. A preocupação do MAIS, no texto Curitiba, 10 de maio: quais lições ficam para a esquerda socialista?”, é apontar que Lula não abandonou a política de conciliação de classes apesar dos ataques da direita golpista a ele mesmo e ao PT.

O que se torna especialmente preocupante diante do fato de que “o PT e Lula novamente se fortaleceram para milhares de ativistas que surgiram no calor das lutas contra o golpe e contra os ataques de Temer”. Para contornar esse problema, do fortalecimento do PT no meio da classe operária (não exatamente dos “ativistas”) diante dos ataques da direita golpista que está implantando as reformas trabalhista e da Previdência, entre outras, o MAIS tem uma proposta.

A proposta do MAIS para superar a política de conciliação de classes do PT consiste no seguinte: “uma Frente de Esquerda entre o PSOL, PSTU, PCB e movimentos como o MTST”. Essa seria a alternativa à política de conciliação de classes de Lula e do PT: uma frente de pequenos partidos da esquerda pequeno-burguesa.

O que o MAIS não diz é qual seria a razão do fortalecimento do PT. A resposta decorre do que está na própria frase que o MAIS traficou para dentro de sua análise citada acima. A classe trabalhadora não concluiu sua experiência com o PT, e o golpe foi um retrocesso em relação a essa experiência. O que podia ser previsto, e foi, muito antes da conclusão do golpe perpetrado pela direita.

A proposta de frente de esquerda do MAIS não enfrenta esse problema. Ela contorna o problema da evolução da consciência política da classe operária contornando a própria classe operária. É uma proposta de uma frente sem a classe operária, com pequenos partidos que têm um ou outro parlamentar e centros acadêmicos, entidades estudantis, em universidades públicas.

Esses partidos não têm influência nos sindicatos ou nos movimentos de massa, nem têm base operária, não têm um programa revolucionário. Segundo o MAIS, miraculosamente, a frente eleitoral entre esses partidos ajudaria a classe operária a evoluir politicamente. Na verdade, trata-se de uma frente para fingir que se quer eleger um governo na busca de eleger, talvez, um deputado. Não por acaso, são os partidos que o PSTU chamou para compor o EUA (Espaço Unidade de Ação), também conhecido como USA (Unity Space of Action). Essa política poderia ser resumida na seguinte palavra de ordem: “todo poder aos CAs!”

artigo Anterior

Cortes Curtos, com Kiko Dinucci, nesta quinta, no Uzwela

Próximo artigo

Polícia SP: mais de 47 pessoas mortas por mês

Leia mais

Deixe uma resposta