Macron, um presidente para anteceder a extrema-direita no poder

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Neste domingo (14), o novo presidente da França, Emmanuel Macron, tomou posse. Macron assume no lugar de François Hollande, seu antecessor que se tornou extremamente impopular ao impor uma reforma trabalhista. Hollande deixa um governo em crise que afundou seu partido, o Partido Socialista (PS).

Entre 2014 e 2016, Macron foi ministro da Economia de Hollande, deixando o cargo para fundar um partido fictício, o Em Marcha, para concorrer à presidência de forma “independente”. Na imprensa burguesa, o ex-banqueiro Macron é chamado de um presidente “de centro”. Uma expressão para ocultar o caráter direitista de seu programa, que inclui um aprofundamento da reforma trabalhista de Hollande.

Macron foi eleito em uma manobra da burguesia imperialista francesa para evitar a vitória eleitoral da extrema-direita e manter o controle sobre o regime político. A manobra consistiu em transferir os votos do PS para Macron estando fora do PS, além de transferir também votos dos Republicanos, partido de direita do regime, para Macron. Essa manobra implodiu os dois principais partidos do regime. Como parte da manobra, a burguesia também tirou votos da extrema-direita impulsionando um candidato de esquerda, Jean-Luc Mélenchon, como alternativa para eleitores contrários à União Europeia (UE).

A manobra dos setores mais poderosos da burguesia foi bem sucedida, mas não altera a conjuntura que colocou o problema da extrema-direita para o regime. A extrema-direita está capitalizando a insatisfação generalizada com o programa neoliberal aplicado na França sob a UE. O programa que colocou o governo do PS em crise. Macron pretende aprofundar esse programa e tornará a crise mais profunda.

Nesse quadro, em que a crise continuará se arrastando, e tornando-se mais grave, Macron fará um governo ainda mais contestado do que o de Hollande. Bem antes de tomar posse, no dia seguinte à sua eleição, Macron foi alvo de um grande protesto em Paris. Nesse ambiente, com a classe operária sem um representante nas eleições, a tendência é que a extrema-direita continue se fortalecendo eleitoralmente.

Em seu discurso de posse, Macron deu grande destaque à questão da imigração. O que na prática significa limitar a entrada de refugiados de guerra na França. Essa é uma demonstração da força da política da extrema-direita na França. Marine Le Pen perdeu o segundo turno, mas a política da extrema-direita monopoliza o debate político na França e provoca um deslocamento à direita de todo o regime político francês. Um deslocamento que a longo prazo só fortalece cada vez mais a própria extrema-direita.

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