APEOESP: quais são as três chapas que disputam a diretoria do maior sindicato da América Latina

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No próximo dia 25, acontecem as eleições para a direção do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, com mais de 300 mil trabalhadores na base (entre ativos e aposentados) e 190 mil associados.

Três chapas estão na disputam. Conheça um pouco sobre as posições delas sobre algumas questões importantes.

Diretoria x Oposição

A atual diretoria da APEOESP é formada pela Chapa 1 (PT-PCdoB), que detém cerca de 60% dos cargos e pela Chapa 3 (PSTU-PSOL-POR-FOS-MRT-MNOB-FOS etc.) que detém 40% de um total de 120 diretores.

Juntas, as chapas 1 e 3 têm 99% dos cargos do Conselho de Representantes e dirigem todas as subsedes do Sindicato.

A Chapa 1 tem os principais cargos da diretoria e dirigentes com mais de 30 anos fora da sala de aula, muitos deles já aposentados ou com tempo de sobra para aposentadoria, mas que permanecem à frente do Sindicato que arrecada mais de R$ 70 milhões por ano.

A chapa 3, que se diz “oposição”, tem vários diretores com 15 anos na diretoria (Moacyr, Gegê, Zafalão, Eliane, Sílvio, Pedro Paulo etc.). Outros, há mais de 20 anos, dirigem subsedes do Sindicato. Essa “oposição” já esteve na vice-presidência e ocupou vários cargos importantes na diretoria, quase sempre apoiando – no fundamental – a política da direção majoritária.

Chapa 2 – Educadores em Luta contra o golpe (PCO e simpatizantes), é a única chapa de oposição nestas eleições, a oposição de verdade. É assim nas lutas e no cotidiano da categoria. Se organiza de forma independente da burocracia e para lutar na defesa das reivindicações dos professores e de todos os trabalhadores. Nenhum dos integrantes da Chapa 2, faz ou já fez parte da direção do Sindicato.

Os candidatos a presidente

Bebel (PT), Chapa 1

A presidenta da Chapa 1, Maria Isabel Noronha (“Bebel”), está na diretoria há 25 anos e seu grupo político (a Articulação-PT) comanda a APEOESP há quase 40 anos, estando à frente das maiores derrotas e traições sofridas pela categoria diante dos governos tucanos, como resultado da política de capitulação e elaboração do PT com os governos patronais.


Moacyr (Psol), Chapa 3

O presidente da Chapa 3, Moacyr Américo, está na Diretoria há 15 anos. Defendeu sempre as posições mais conservadoras do seu bloco. Não tem qualquer papel de liderança nas lutas da categoria. É quase sempre um dos primeiros a defender o recuo e a desmobilização dos professores nas greves da categoria.

 


Antônio Carlos (PCO), Chapa 2

Chapa 2 – Educadores em Luta, tem na presidência o professor Antônio Carlos Silva, liderança das greves e mobilizações da categoria, nas escolas, nas ações regionais e na luta geral dos professores e de todos os trabalhadores. Membro da direção nacional do PCO, o companheiro é uma das principais lideranças nacionais da luta contra o golpe de estado.

 

 

 


Diante do golpe

A chapa 3 é a chapa integrada por setores que defenderam o golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilma, como o PSTU (que se despedaçou em vários grupos: MAIS, MNOB etc.). Diziam que Temer era a “mesma coisa que Dilma” e, agora, estamos sentido na pele o resultado dessa política desastrosa. No balaio que eles chamam de “oposição unificada” há setores que apoiam a operação Lava Jato, comandada pelo golpista Sérgio Moro (como certas alas do PSOL) e até quem defenda a prisão de Lula (como o PSTU). Ou seja, apoiam os golpistas e sua política de retrocesso e cassação dos direitos dos trabalhadores. Não por acaso defendem a “unidade” com a Força Sindical e outras organizações golpistas e inimigas dos trabalhadores e do povo brasileiro.

Na chapa 1, estão setores do PT que vacilaram diante do golpe e setores do PCdoB que defendem – mais uma vez – a aliança com setores da burguesa, inclusive golpistas, como Ciro Gomes (do PDT), que semanas antes do golpe de Estado atuava como executivo de uma empresa do vice-presidente da FIESP, Benjamin Steinbruch, que defende a reforma trabalhista, a terceirização e que o trabalhador tenha apenas 15 minutos para almoçar.

Chapa 2 – Educadores em Luta, coordenada por companheiros do PCO, o primeiro a alertar e colocar a necessidade de mobilização contra o golpe de Estado, mesmo não tendo apoiado a eleição de Dilma, pois explicou que a vitória da direita traria (como trouxe) enormes retrocessos para o ensino público e os trabalhadores. É a chapa da luta contra o golpe, do partido da luta contra o golpe. Organizou caravanas para Curitiba contra a prisão de Lula e está convocando a mobilização em Brasília contra as “reformas” e o golpe de Estado

Burocracia Sindical

As chapas 1 e 3, há anos no comando da APEOESP, impuseram ou aceitaram um processo de burocratização do Sindicato, prorrogando mandatos (dos conselheiros eram de um ano, passaram para três; da diretoria de dois para três anos), mantendo as subsedes sob controle de uma minoria (as greves tiveram que ser feitas por comandos de base, quase sempre sem a participação da burocracia); os congressos passaram a ter um “funil” (os delegados deixaram de ser eleitos diretamente nas escolas) e o voto de um aposentado – nestas condições – vale até dez vezes mais do que o voto de um professor da ativa.

chapa 2 – Oposição de Verdade, quer uma transformação total no Sindicato, para coloca-lo completamente à serviço das lutas da categoria e do conjunto dos trabalhadores, dentre outras medidas, como: 1) Fim do presidencialismo e gestão democrática do sindicato; 2) Proporcionalidade direta (para garantir a participação na direção do Sindicato de todos os setores organizados na base da categoria); 3) redução dos mandatos e eleição direta, nas escolas, de conselheiros, delegados aos congressos etc.; 4) Subsedes e greves comandadas porque quem está na luta e participa da mobilização; 5) Volta das eleições bianuais para a diretoria etc.

Para saber mais sobre as eleições da APEOESP, acompanhe diariamente o Diário Causa Operária.

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