Ofensiva golpista se intensifica na Venezuela com protestos e assassinatos

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Pequenos porém violentos protestos golpistas se confrontaram com as forças nacionais no sábado, dia 13, em Caracas, Venezuela. Os grupos fascistas aproveitam-se da crise econômica causada pela queda do preço do barril de petróleo e da forte seca que assola o País para desestabilizar o governo do presidente Nicolás Maduro, eleito em 2013.

Os esforços golpistas de manifestações de rua completaram seis semanas. Nelas, esses grupos exigem “eleições gerais” e repudiaram a Assembleia Popular Constituinte convocada no dia 1º de maio pelo presidente. Na imprensa capitalista internacional, a história é vendida como uma revolta generalizada contra o governo. No entanto, em todo o País os protestos somam poucos milhares de pessoas. Os confrontos com a polícia são apresentados como repressão perpetrada pelo governo, mas é a oposição de direita que alimenta a violência.

Um grupo de especialistas em comunicação chegou a afirmar que as ações da direita na Venezuela são similares às desenvolvidas no golpe na Ucrânia em 2014 contra o presidente Viktor Yanukóvich e com o mesmo objetivo: ganhar poder inconstitucionalmente. O jornalista alemão Andres Scheer comparou ambos os casos: “todos os dias estão aumentando as manifestações pacíficas com surtos de violência, o fechamento de avenidas, assassinatos seletivos (…) Obviamente existem paralelos e temos que nos perguntar: a quem servem? Quem está por trás da violência?”.

Diante desse embate, o presidente da Venezuela anunciou em abril um plano para expandir as milícias populares para 500 mil membros armados para a defesa do país. Entre as fileiras de milicianos, constam as camadas mais pobres da população e também existem grandes grupos de mulheres.

A Milícia Nacional da Venezuela foi criado em 2007 pelo presidente Hugo Chávez como resultado das milícias populares que se organizaram contra o golpe de 2002. Os civis têm permissão para usar um rifle de assalto automático FN FAL belga, um fuzil russo Mosin-Nagant M91/30 e metralhadoras.

Maduro também decretou uma lei na qual fábricas paralisadas pelos patrões poderão ser expropriadas, já que a direita promove uma guerra econômica para desestabilizar o governo. O plano dos golpistas é fazer com que os trabalhadores paguem pela crise.

Uma nova escalada do conflito teve início janeiro de 2107, quando a Assembleia venezuelana decidiu não reconhecer o presidente eleito como chefe da nação. Tal fato foi uma tentativa de golpe por parte da direita venezuelana com o aparato da grande imprensa burguesa, parecido com o que ocorreu no Brasil. Agora, direita venezuelana conta com o apoio do governo golpista brasileiro, que reuniu às pressas o Mercosul para expulsar e isolar a Venezuela.

O golpe em curso na Venezuela é parte de uma política do imperialismo para toda a região. É a mesma estratégia aplicada no Paraguai em 2012 e no Brasil em 2016. A tática para chegar a esse objetivo é também semelhante à que a CIA fez contra o governo Allende em 1973 no Chile: guerra econômica, inflação provocada e estoque de produtos de impacto social. A direita agora aumenta o conflito nas ruas para inviabilizar o governo ou, no mais tardar, colher os votos em 2019.

A necessidade do imperialismo, não confessa porém real, é substituir os governos nacionalistas burgueses por governos entreguistas capachos do imperialismo. Para isso, buscam a mudança do regime político, com a repressão contra a classe trabalhadora.

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