O “Problema Renan”

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A greve geral, que aconteceu no dia 28 de abril, causou grandes fissuras no governo golpista, criou uma situação perigosa para os golpistas, em que o avanço de sua política pode, contraditoriamente, levar ao avanço e desenvolvimento pleno da política operária. O governo está em crise há alguns meses e agora em crise, fica claro um dos eixos do golpe.

Um dos principais problemas dos golpistas neste momento é justamente o próprio governo. Deram o golpe, derrubaram Dilma para poder impor uma política dura contra todos os setores nacionais, trabalhadores, pequena-burguesia e até contra setores da burguesia nacional, um exemplo disso é o que aconteceu com as empreiteiras, em especial com a Odebrecht.

Agora o governo tem como principal oposição a sua própria base, os setores parlamentares representantes da burguesia. Em outras situações, a direita impôs um governo majoritário, um governo no qual a direita imperialista, representada no espectro partidário principalmente pelo PSDB-DEM, governava tendo subjugado setores nacionais da burguesia ou não dependendo deles para garantir sua política.

Este não é o caso de Temer, mesmo depois do golpe, o governo depende enormemente do apoio de setores da burguesia nacional, principalmente do PMDB. Renan Calheiros, líder destes setores no PMDB, tem sido duramente atacado pela imprensa golpista por se opor ao governo no Senado, por se declarar contra as reformas, chegou até a ser questionado como líder do PMDB, por parlamentares mais ligados à ala pró-imperialista do partido.

O “Problema Renan” é o problema fundamental do golpe, os golpistas não têm força para governar sem setores como o PMDB, mas estes setores não têm acordo em apoiar uma política que é fundamentalmente contra o seus próprios interesses.

Esta luta interna enfraquece o governo, facilitou para a esquerda e a classe operária reagirem, organizar a greve geral e começar uma mudança na situação política.

Para Temer e o imperialismo garantir que sua política seja cumprida, derrota nas votações das reformas, principalmente da previdência, indicariam uma derrocada e queda do governo, para isso precisam convencer, senão coagir, os Renan Calheiros do Congresso Nacional, a contradição que existe entre estes setores da burguesia e do imperialismo não apresenta cenários de acordo, apenas de solução por meio da força.

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