Agressão a Mateus Ferreira — Um cacete para o capitão

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Grupo fascista de Goiânia faz campanha na internet para comprar um cacete novo para o comandante que tentou assassinar um manifestante durante protesto

O estudante Mateus Ferreira da Silva está internado em estado grave e corre risco de vida. Participava das manifestações que envolveram a greve geral de 28 de abril. Ao fugir da repressão policial, levou uma bordoada tão forte que a borracha do cacete do policial se desfez, expondo a madeira que tem por dentro.

A imprensa, que vinha cobrindo as manifestações e que só prestava atenção para atos de violência e vandalismo por parte dos manifestantes, procurou defender a polícia militar, alegando que fora alguém vestido de PM que tinha dado a bordoada no estudante. O repórter da Folha de S. Paulo — órgão apoiador do golpe e das medidas autocráticas contra as quais o povo se manifestava —, sem nenhuma base concreta, sem nenhum indício de prova, apressou-se a informar, mentirosamente, que não se tratava de um PM. Logo ficou claro que se tratava de uma mentira, mas por parte da Folha, jornal hoje com pouquíssima credibilidade. A própria corporação reconheceu que o agressor era o comandante da PM, Augusto Sampaio.

Diante do fato, do delito criminoso, um tal de Felipe Diehl vem comandando uma campanha na internet para debochar do destino do jovem agredido. Pede contribuições, não para o rapaz que se encontra entre a vida e a morte, mas para comprar um cacete novo para o PM continuar mandando mais gente para o hospital.

Todo esse ódio pode ser explicado por várias vertentes científicas. Pela sociologia, pela história e pela psicanálise. A sociologia explica que os extremismos de direita são sempre fomentados pelo ódio de classe; ódio esse motivado pelo medo que um indivíduo de classe média tem de vincular-se com o pobre. O extremismo de direita, diferentemente do extremismo de esquerda, não tem bases ideológicas sólidas. Quando um jihadista explode uma bomba, por exemplo, expressa com isso um ódio, sim. Um ódio contra aqueles que lhe destruíram a vida, a família, o lar; um ódio contra aqueles que debocham de suas crenças e do seu modo de vida. Quando um direitista começa a propagar a violência é apenas uma reação contra seu próprio estado de impotência. Ele sabe que representa uma classe à qual nunca terá acesso e, em vez de reagir contra ela, reage contra os de baixo. É como alguém que, para chegar ao topo de uma escada, destrói os degraus de baixo. E, aqui, é a psicanálise que explica.

E a psicanálise, nesse caso, levará em consideração o símbolo fálico: o cacete. A violência sem medida do PM revelou apenas uma impotência sem medida. A potência de um gesto do braço para encobrir uma impotência com causas psicológicas profundas. E quem o apoia nesse gesto é tão mais impotente do quem o perpetrou.

É a eleição do macho alfa. O capitão de braço forte é o símbolo sexual de uma geração de direitista que é suficientemente impotente para realizar o próprio sonho de ser gente, de ser humanamente chamada de gente.

E a psicanálise revela a face muda dessa impotência. Entregar ao capitão um cacete novo. Seria um prêmio de consolação ou simplesmente um consolo qualquer?

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