Moção de repúdio não impedirá crescimento da extrema-direita

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Psol, taxado pela burguesia como o “futuro PT”, cada vez mais vai se afastando da esquerda, que dirá socialista.

Em primeiro lugar, é necessário – e constrangedor – levar em consideração que nunca é possível saber o que o Psol diz – mas sim as suas figuras públicas. Um partido que não se orienta por um programa, mas sim pela “liberdade” que suas lideranças têm para dizer o que querem não pode ser considerado socialista. Isso porque a “liberdade” das lideranças expressa apenas o ideal burguês da pluralidade de ideias. As lideranças não expressam as tendências do movimento operário, mas sim os esforços necessários para conseguirem se manter dentro do regime democrático burguês.

Carreiristas pequeno-burgueses, as lideranças do Psol são capazes de defender qualquer coisa, desde que isso não ameace o controle da burguesia na situação política. Os que os difere, por exemplo, dos políticos do PT que, por mais carreiristas que possam ser, estão suscetíveis às tendências do movimento operário.

Assim, criticar as lideranças do Psol é, de fato, a mesma coisa que criticar o partido, uma vez que a “pluralidade” é uma expressão da classe que o partido representa. Ou seja, a falta de legitimidade para com o movimento operário com a qual se comportam os políticos psolistas também está presente em suas bases.

Levando isso em consideração, todas as atitudes absurdas tomadas pelas lideranças do Psol parecem, assim, lógicas. Ou seja, quando se analisa o partido pela luta de classes, e não pelo espectro político inventado pelos cientistas políticos da GloboNews, tudo faz sentido.

Um caso em Pernambuco

Na última semana, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) votou uma moção de repúdio contra o fascista Jair Bolsonaro. Proposta por Edilson Silva, do Psol, a moção foi aprovada por unanimidade.

Há duas importantes lições a serem tiradas desse caso. Em primeiro lugar, fica claro que o Psol, centrista que é, acha que vai combater o fascismo com palavras. Não seria, na verdade, a primeira vez que isso acontece. O partido já solicitou a cassação do mandato do mini-fascista do MBL/DEM Fernando Holiday, vereador em São Paulo; e o próprio Edilson Silva comemorou quando, recentemente, Bolsonaro virou réu no STF.

A ingenuidade – ou canalhice extrema – do Psol em relação ao fascismo é inacreditável. Segundo a lógica do partido, a melhor forma de combater o fascismo seria recorrendo à burguesia – que é justamente a classe que o impulsiona. A história já mostrou que o fascismo só recua se receber uma resposta na mesma moeda.

Outra lição é que a burguesia aceita qualquer pauta “progressista”, desde que isso não cause uma ameaça à sua existência. Quando o PCO, agindo como uma vanguarda operária, convocou o ato do dia 3 de maio, a burguesia atacou em peso o partido – desde os fascistas do MBL às Organizações Globo. Por outro lado, a moção de Edilson Silva recebeu apoio integral de todos os políticos burgueses.

Assim, a moção de repúdio do Psol é mais um ato de subserviência do partido à burguesia. Ao mentir afirmando que “todo mundo é contra Bolsonaro”, o Psol faz um grande desfavor às massas, levando a crer que o fascismo é um problema resolvido.

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