A demolição do regime político na França

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A manobra da burguesia imperialista para impedir a vitória da extrema-direita no primeiro turno funcionou. Com o voto pulverizado entre quatro candidatos, Marine Le Pen, da Frente Nacional, acabou em segundo lugar, com 21,53% dos votos, atrás do candidato “independente” Emmanuel Macron, com 23,75%. O resultado foi comemorado pela União Europeia (UE) e pelo governo da Alemanha. A possibilidade de que Jean-Luc Mélenchon, da frente França Insubmissa, chegasse ao segundo turno contra Le Pen representaria uma grande possibilidade de que a França saísse da UE.

Apesar do sucesso da manobra da burguesia para evitar a vitória de Le Pen, o resultado mostra também a desintegração do regime político francês, em profunda crise. Os dois principais partidos do país, que se alternaram no poder nos últimos 36 anos, Republicanos e Partido Socialista (PS), ficaram fora do segundo turno. Pelo PS, Benoît Hamon quase ficou com apenas 6,35% dos votos. François Fillon, abalado por escândalos de corrupção, ficou em terceiro com 19,91% em uma eleição que meses atrás era considerada ganha pelos Republicanos, pouco a mais que os 19,65% de Melénchon.

Essas eleições também marcam o melhor desempenho eleitoral da extrema-direita até agora. Em 2002, quando a Frente Nacional foi pela primeira e até ontem única vez para o segundo turno, Jean-Marie Le Pen, fundador do partido e pai de Marine Le Pen, conseguiu 16,86% dos votos no primeiro turno. No segundo turno aumentou para apenas 17,79% sua votação. Um cenário muito diferente se apresenta agora, com as projeções mostrando Marine Le Pen conseguindo até 40% dos votos.

Além do apoio da Alemanha e da UE, Macron já tem o apoio também de Hamon e de Fillon. Ou seja, o apoio dos dois partidos que representavam o regime político que está desintegrando agora. Apesar de sua vitória quase certa, Macron não vai frear o desenvolvimento da extrema-direita. Pelo contrário, o apoio do PS a Macron e as políticas que ele pretende implementar, continuando a política neoliberal que vinha sendo adotada por François Hollande, deve fortalecer a Frente Nacional ainda mais a longo prazo. O embate eleitoral entre Le Pen e Macron está marcado para o dia 7 de maio, duas semanas depois do primeiro turno, que teve uma participação alta, de quase 79%.

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