Os dias eram assim e a Globo faz de tudo para que voltem a ser

Compartilhar:

Estamos diante de um golpe de Estado que na última semana completou um ano. E uma das principais organizações que apoiou, financiou e organizou este golpe, a Rede Globo de Televisão, estreou em sua grade de programação uma novelinha ou uma minissérie que trata dos anos de chumbo do regime militar. À primeira vista curioso. Mas não nos enganemos. O que a principal rede de televisão golpista da América Latina que apoiou incondicionalmente o golpe militar de 1964 estaria interessada em retratá-lo em meio ao golpe de 2016? Eis a questão que abordarei na coluna desta semana.

A novelinha ou supersérie como a emissora golpista nomeou o programa, chama-se “Os Dias Eram Assim”.  É uma superprodução que conta com grande elenco da emissora que retrata a ditadura militar brasileira a partir dos ano 1970. A história é novelesca, dois jovens, um médico recém formado, progressista, e uma jovem estudante “libertária” filha de um empreiteiro envolvido com o governo militar se apaixonam, mas são impedidos de manter o romance. O velho clichê de “Romeu e Julieta” em meio à ditadura brasileira. Como pano de fundo a emissora colocou os anos de chumbo do golpe militar, logo depois do AI-5 e o recrudescimento do regime.

A Rede golpista de Televisão investiu bastante na novelinha. Comprou os melhores técnicos que o dinheiro ganho com o apoio ao golpe poderia comprar. A trama tem um ar esquerdista que mostra os militares como vilões, que efetivamente foram, da história, mostra tortura, repressão, direita coxinha etc. Para “valorizar o produto” tem na equipe técnica grandes nomes do cinema como Walter Carvalho, diretor de fotografia premiado de filmes como “Central do Brasil”, “Carandiru” e o documentário “Entreatos” e diversos outros.. Investiu também na trilha sonora do que há de melhor de MPB do período, com destaque para as músicas de protesto, ou seja, é uma produção para conquistar um público que cada vez mais deixou de assistir a emissora golpista. Um público mais esquerdista, mais progressista.

A novela está na primeira semana e ainda é cedo para tirar conclusões a respeito do desenvolvimento da trama, mas é nítido que a emissora usa essa produção com segundas intenções. É justamente neste ponto que gostaria de tratar. A estreia já repercutiu entre os esquerdistas de plantão que elogiaram a emissora pelo que até então foi mostrado. Ou seja, de certa forma já cumpriu um determinado papel. A novelinha funciona como uma espécie de “oásis” na grade de programação extremamente sem graça e golpista da emissora.

A novelinha neste sentido cumpre um papel de camuflar o apoio ao golpe, ou melhor, aos golpes, de 1964 e o de 2016. Enquanto a Globo deixa o Marcelo Adnet fazer piada de esquerda falando inclusive mal da Globo e vez ou outras dá espaço para uma personalidade dar alguma opinião mais progressista. Ela despeja diariamente durante horas e horas uma defesa sem limites dos golpistas que derrubaram Dilma Rousseff e querem destruir todas as conquistas de décadas de luta da classe operária brasileira. Faz propaganda de todos os tipos pela reforma da previdência, reforma trabalhista, fim da CLT, privatização da saúde, da educação e defende com unhas e dentes a Operação Lava Jato e a prisão de Lula. E faz isso não somente por meio dos programas e telejornais da rede aberta, mas também por meio do canal a cabo GloboNews ou melhor dizendo, “GolpeNews”, mas também por meio do portal eletrônico G1 e do jornal impresso O Globo. Parafraseando com adaptação o ditado popular: é uma no cravo e milhões na ferradura. Os dias eram e são assim e a Globo vai fazer de tudo para que eles continuem como estão.

artigo Anterior

Lido nas redes

Próximo artigo

Herdeiros do jornal bolchevique defendem Rui Costa Pimenta contra perseguição

Leia mais

Deixe uma resposta