Ameaçado pela nova ditadura, prisão de Lula pelo DOPS completa 37 anos

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Registro de Lula no DOPS

Na manhã do dia 19 de abril de 1980, o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Inácio Lula da Silva, foi surpreendido enquanto estava em sua casa, em São Bernardo do Campo, por agentes do DOPS, o Departamento de Ordem Política e Social da ditadura militar. Os policiais levaram Lula e os outros diretores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC à delegacia. Lula ficou preso durante 31 dias.

A prisão das lideranças sindicais se deu em meio à maior greve vista naquela época: 140 mil metalúrgicos daquela região faziam uma mobilização que durou mais de um mês e que, desestabilizou o regime militar, derrubado em 1985 pelas grandes mobilizações operárias. Lula foi levado quando a greve completava 17 dias, enquadrado pela Lei de Segurança Nacional, algo semelhante à Lei Antiterrorista, aprovada pelos golpistas recentemente.

Dias antes, o ministro do Trabalho da ditadura, Murillo Macêdo, decretou a ilegalidade da greve dos metalúrgicos. Em 17 de abril, Lula foi destituído pelo governo militar da direção do sindicato, algo que na prática não aconteceu – o presidente manteve-se na liderança do movimento grevista.

 

Passeata em defesa da liberdade dos líderes sindicais

Os militares buscavam, com a prisão dos dirigentes, desestabilizar e afundar a greve dos metalúrgicos, que já se alastrava à outras categorias em todo o País. No entanto, a tentativa falhou. Lula, em depoimento à Comissão da Verdade, afirmou que sua prisão foi motivo para a “politização” do movimento, além de dizer que foi “burrice” dos militares o prender naquele momento. Os operários, além de reivindicarem aumento salarial, começavam a opor-se de maneira mais clara à ditadura militar, reivindicando a liberdade do sindicato, sob intervenção da ditadura, e das lideranças sindicais. Nos atos de 1º de maio, os operários carregavam fotos de Lula e outros dirigentes presos; as mulheres dos sindicalistas organizavam passeatas no ABC contra a ditadura; as assembleias e passeatas enchiam as ruas.

Passeata das esposas dos metalúrgicos contra a prisão dos sindicalistas. No centro da foto, Marisa Letícia, esposa de Lula

Após 45 dias de greve, em 11 de maio, os metalúrgicos encerram a greve, vitoriosos e fortalecidos pelo combate. Em 20 de maio, Lula e o resto da direção metalúrgica foram libertados do DOPS pelo, à época, diretor geral do Departamento de Ordem Política e Social, o delegado Romeu Tuma.

Lula saindo da prisão, em 20 de maio

Após tudo isso, o Partido dos Trabalhadores foi fundado como resultado destas mobilizações operárias.

Lembrar da prisão de Lula durante a ditadura militar é bem simbólico. Em 1980, os golpistas prenderam a maior liderança sindical da época. Atualmente, os golpistas que colocam o País novamente sob uma ditadura atentam contra Lula, hoje ex-presidente e maior liderança popular do País, com a clara intenção de, novamente, acabar com o movimento sindical, popular e os partidos de esquerda.

Comemoração pela liberdade de Lula

No dia 3 de maio, data em que está marcado o depoimento de Lula a Sérgio Moro, os movimentos operário e popular têm que mostrar que é, novamente, um ataque da direita. Inscreva-se nas caravanas para Curitiba, reforce a campanha contra o golpe.

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