José NêuMaNNe é do MNN?

Compartilhar:

Nesta quarta-feira (19), o Estado de S. Paulo publicou um texto de José Nêumanne chamando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “pelego”. Nem José Nêumanne, nem o Estado de S. Paulo pertencem ao movimento operário ou à classe operária. Pelo contrário, trata-se de um jornal da imprensa burguesa, um jornal dos patrões. Os patrões não têm o menor direito de acusar alguém de ser pelego, são eles que contratam os pelegos para quebrar as greves.

A base para Nêumanne “acusar” Lula de ser “pelego” é a delação de Emílio Odebrecht, patrão e delator premiado da operação golpista Lava Jato. Odebrecht, Nêumanne e o Estado de S. Paulo, em uma frente para acusar Lula de ser pelego. Antes disso, Lula também já tinha sido acusado de não ser trabalhador. Acusação proferida por João Doria, empresário milionário, dono da revista Caviar Lifestyle e prefeito de São Paulo. Outro patrão.

A esperança da direita para dar verossimilhança a esse tipo de acusação é o fato de que Lula sempre teve, abertamente, uma política de conciliação. Buscar acordos entre os trabalhadores e os patrões sempre foi a política de Lula. Isso não é e nunca foi segredo para ninguém. Agora a direita usa esse fato para tentar dar a entender que Lula seria uma espécie de Paulinho da Força, e que a CUT seria uma espécie de Força Sindical. Esses sim, pelegos profissionais contratados pelos patrões não só para impor acordos ruins contra os trabalhadores mas inclusive para desorganizar a classe operária.

A direita e os patrões não têm direito de acusar ninguém de ser pelego, levantam essas acusações porque estão em uma ofensiva justamente para atacar os sindicatos, atacar a CUT, o PT, e abrir caminho para uma perseguição à esquerda em geral. Por isso, fazem campanha com as afirmações de Emílio Odebrecht, afirmações sem nenhuma comprovação, como acontece muitas vezes na Lava Jato.

E o MNN?

Além dos patrões e dos jornais dos patrões, há também um pequeno grupo de esquerda que ecoa as acusações da direita contra Lula. Trata-se do Movimento Negação da Negação (MNN), que atua dentro do campus Butantã da USP. No última grande ato da esquerda na Av. Paulista, os bravos militantes do MNN levantaram a seguinte palavra de ordem: “Fora Lula da Paulista”.

O MNN, também conhecido como Território Livre (TL), também repete a acusação dos patrões de que Lula sempre foi pelego. Não um político conciliador que buscava acordos com a burguesia, coisa que o PT defendia abertamente, mas um pelego comprado pelos capitalistas. A delação de Emílio Odebrecht seria a confirmação dessa versão da história recente do Brasil.

Assim, ao lado José Nêumanne, Estado de S. Paulo e Emílio Odebrecht, temos o MNN acusando Lula de ser pelego. É uma frente. A frente da grande burguesia e dos capitalistas ligados ao imperialismo e à pequena burguesia para atacar Lula. É provável que pouca gente saiba, inclusive os outros membros da frente, que o obscuro MNN faz parte da frente contra Lula. Em qualquer caso, é uma frente com a burguesia muito mais profunda do que qualquer acordo que Lula já possa ter feito com a burguesia nacional ou com o imperialismo. O apoio da esquerda pequeno-burguesa ao golpe é muito mais pelego que qualquer Lula.

artigo Anterior

MST ocupa 14 sedes do Incra em defesa da Reforma Agrária

Próximo artigo

Previdência: Temer quer que idade mínima para mulheres aumente mais rápido

Leia mais

Deixe uma resposta