“Escola sem Partido” é escola sem voz

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Há uma lei na política que diz que nada pode ser neutro, pois determinada posição sempre pende para o lado mais forte. Por isso mesmo, quem mais defende essa suposta “neutralidade” é a burguesia, que usa seu poder econômico e político para impor seus interesses sobre a maioria do povo. A direita é a maior defensora de tal neutralidade, justamente porque precisa esconder sua política enquanto coloca em prática todo o seu programa contra o povo.

O vereador Fernando Holiday se tornou a personificação do cinismo direitista e burguês. Ele e seu Movimento Brasil Livre (MBL) por algum tempo saiu às ruas guiados pelos partidos de direita enquanto levantavam a bandeira do apartidarismo. Depois, quando ele e seu MBL perderam a vergonha de ser oportunista, decidiram lançar Holiday para vereador. O “apartidário” foi eleito pelo DEM, o partido, vejam só, herdeiro da ditadura militar.

O “apartidário” do partido da ditadura militar agora decidiu se jogar numa nova cruzada em defesa do “apartidarismo”. Holiday foi para escolas municipais defender o “Escola sem Partido”. Fernando Holiday personifica de uma vez por todas o cinismo da direita. O vereador do DEM alega querer uma “escola sem partido”. Na verdade, a escola sem partido que Holiday defende é a escola com um partido só, o DEM, partido da ditadura militar.

Atacado pela sua iniciativa fascistóide, o vereador do DEM se defendeu em coluna na Folha de S. Paulo, na última terça-feira, dia 18, intitulada “Escola sem Partido ou Escola sem Voz?”

Em sua coluna, Holiday tenta explicar que suas visitas às escolas não tinham o objetivo de intimidar os professores e que o projeto “Escola sem Partido” é inofensivo e quer apenas “esclarecer os direitos dos alunos em sala de aula” e seu “objetivo é apenas expor, em toda sala de aula do país, um cartaz que deixe claro que a liberdade de cátedra não pode ser utilizada para coagir”.

Segundo o vereador “sem partido”, do DEM, sua conduta é completamente inocente como o próprio projeto que ele defende também não traz nenhum perigo. Mais ainda, as críticas que recebeu são ações de “hordas ignorantes da patrulha esquerdista” que “tentaram, a todo custo, espalhar a mentira de que invadi salas de aula, desrespeitei professores e desqualifiquei servidores públicos. Tudo mentira”.

De mentira, Holiday, o vereador sem partido do DEM, entende bem. Sua coluna é a demonstração oposta daquilo que defende. Como bom aprendiz de político burguês, Holiday, cinicamente, se faz de vítima, tentando se justificar diante da enorme repercussão negativa que suas ações geraram.

Ao contrário do que diz o vereador do MBL, o “Escola sem Partido” é um projeto de tipo fascista que pretende dar poderes ao Estado de vigiar e controlar as escolas e os professores. O projeto, que diga-se de passagem foi idealizado por um procurador do Estado de São Paulo, Miguel Nagib, tem como mote em sua página na internet “Por uma lei contra o abuso da liberdade de ensinar.”

Os “deveres” dos professores que o Escola sem Partido quer fiscalizar.

Imaginem só um mundo em que o professor pudesse “abusar” de sua liberdade de ensinar? O “Escola sem Partido” acha isso um absurdo. O negócio é impor limites ao ensino, ou seja, retornar ao obscurantismo da Idade Média, quando não existia liberdade para ensinar.

O projeto “Escola sem Partido” quer estabelecer um controle ideológico nas escolas. Não a “patrulha ideológica” que a direita cínica e obtusa acusa a esquerda de praticar, mas o controle de fato, exercido pelo Estado e suas instituições repressivas.

Segundo o procurador do Estado idealizador do projeto, em entrevista para o El País em 25/6/16, “isso [a doutrinação ideológica] acontece entre quatro paredes. As vítimas são as únicas testemunhas e elas estão submetidas à autoridade do professor.” A declaração mostra bem o que quer o “inocente” projeto “Escola sem Partido”: os professores precisam ser vigiados, como na ditadura militar, quando eram colocados infiltrados nas salas de aula, ou seja, para que as aulas não “ficassem entre quatro paredes”.

Mais ainda, o inocente procurador do Estado ainda declara na mesma entrevista que “o professor não tem direito à liberdade de expressão na sala de aula”.

Esse é o projeto defendido por Holliday e suas visitas aos colégios de São Paulo tinham esse objetivo: promover um departamento de controle ideológico nas escolas, uma espécie de GESTAPO ou a retomada do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) do Estado Novo.

Essa é a política de Fernando Holiday e essa política, assim como o próprio vereador, devem ser energicamente combatidos. Não com representações institucionais como faz a esquerda pequeno-burguesa, como o PSOL, mas com luta direta. É preciso dizer aos professores que, não devem aceitar nenhuma tentativa de controle nas salas de aul.

É preciso colocar para correr Holliday e seus cachorros das escolas públicas.

 

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