Eleição para o Sindicato dos Bancários de São Paulo triênio 2017/2020

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Está marcada para os dias 25, 26, 27 e 28 de abril próximo a eleição para o triênio 2017/2020 para o Sindicatos dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

A eleição para o Sindicato dos Bancários de São Paulo se realiza em meio a uma enorme crise política e econômica com a intensificação dos ataques da direita golpista contra os trabalhadores e a população. Os banqueiros, financiadores diretos do golpe de Estado que derrubou a primeira presidente mulher do País democraticamente eleita com mais de 54,5 milhões de votos, e o governo golpista de Michel Temer partiram para uma ofensiva contra as conquistas e direitos da categoria e de toda a população. Arrocho salarial, fechamento de centenas de agências, reestruturações nos bancos públicos, demissões em massa, terceirização, reforma da Previdência e trabalhista, fim da CLT etc. é a situação em que a categoria bancária se encontra no momento.

Os bancários são uma categoria fundamental em um regime dominado pelos tubarões do sistema financeiro e precisam ter um papel de destaque na luta contra a política reacionária da direita pró-imperialista que derrubou o governo para cassar os direitos democráticos da maioria da população, impor um regime de repressão contra os trabalhadores e suas  organizações, avançando nas privatizações e destruição dos bancos públicos e demais estatais que restaram da “privataria” da era reacionária de Collor e FHC e aprofundando os ataques contra os trabalhadores com as suas políticas de arrocho salarial, terceirizações e de demissões.

É nesse cenário que se realizará, entre os dias 25 e 28 de abril, a eleição para a nova diretoria do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, que representa 25% de toda a categoria nacionalmente, com mais de 100 mil trabalhadores na base. Essa eleição contará com a participação de duas chapas; a chapa 1 CUT hoje é a atual direção do sindicato e a chapa 2, formada pela Conlutas, PSTU, setores do PSOL e seus satélites, uma chapa da direita travestida de esquerdistas.

A chapa 1, da atual diretoria – ligada Articulação-PT, que representa nessas eleições a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e apesar de muitos erros na condução das mobilizações da categoria com uma política de colaboração com os patrões, tem neste momento, e desde antes da queda do governo Dilma Rousseff, um posicionamento a favor da luta contra o golpe e é alvo sistemático da direita golpista de ataques às organizações dos trabalhadores, como foi caso da tentativa de incriminar a Editora Atitude, responsável por projeto de comunicação em conjunto com 40 entidades sindicais e coordenada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de movimentação financeira, “que teria servido para ocultar propina para o PT”. Tais ataques visa única e exclusivamente criminalizar, através da “Operação Lava Jato”, sindicalistas, sindicatos filiados à CUT, ao MST e organizações de esquerda e da luta dos explorados, como foi o caso recente das delações do almofadinha, Marcelo Odebrecht, ao querer incriminar a CUT. Isso mostra a articulação de que o golpe está a todo o vapor contra os trabalhadores e suas organizações.

A chapa 2, Conlutas, MAIS, PSTU, setores do PSOL, PCB e satélites, tem encabeçando a chapa Juliana Donato (representane do MAIS racha do PSTU) que com o apoio de chefes e diretores do Banco do Brasil, tendo apenas conquistado 3,4% dos votos no primeiro turno, que graças a esse apoio direitista daqueles que defendem da privatização do BB, apoiaram a Lei das terceirizações etc, conseguiu suplantar o outro candidato anti-golpista e exerceu o cargo de diretora do banco como Caref (Representante no Conselho de Administração do BB) em 2015/2016. Donato, que se diz “oposição” à atual direção do Sindicato dos Bancários de SP, fez coro com a direita golpista ao acusar a atual presidente do Sindicato, Juvandia Moreira, de estar envolvida no esquema da “Lava Jato” por ter participado de um jantar com Lula onde estavam presentes grandes empresários e banqueiros, segundo a fonte de onde Juliana Donato busca ter referências, ou seja, a imprensa capitalista venal e golpista. Donato fez a mesma acusações e o mesmo papel da imprensa burguesa golpistas que condena Juvandia por estar no mesmo jantar onde se encontravam empresários investigados na Operação Lava Jato, essa denúncia foi estampado no jornal O Estado de S.Paulo acusando a editora Atitude.

A “ultraesquerdista” da direita, ou melhor dizendo coxinha vermelha, Juliana Donato, condena a presidente do sindicato dos bancários de SP pelo simples fato de que duas pessoas tenham estado juntas em um determinado lugar, por esse raciocínio, sem pé nem cabeça, qualquer pessoa pode ser condenada por ter estado no mesmo lugar que um criminoso, por exemplo: todos os deputados poderiam ser colocados imediatamente na prisão, pois todos eles conviveram – não por algumas horas, mas por vários dias – no mesmo local que outros notórios criminosos, o Congresso Nacional.

A chapa 2, apesar do discurso de “esquerda” tem como aliada a Força Sindical. Recentemente essa mesma “oposição” na categoria dos professores de São Paulo realizou a sua convenção para a formação da chapa na categoria na sede de um dos principais sindicatos da Força Sindical, dos Eletricitários de São Paulo e postou fotos na internet ao lado da bandeira da “central” comandada pelo deputado golpista, “Paulinho da Força”.

No seu blog, Juliana Donato posta uma nota assinada por todos os integrantes da chapa choramingando que a diretoria do sindicato não ter convocado assembleia para discutir a greve geral do dia 28, de que a eleição foi convocada justamente no dia da greve geral, do “imobilismo da atual direção”, etc.

A questão que se coloca não é nem tanto discutir a política levada à frente pela direção do sindicato, de fato bem tímida diante das tarefas que se colocam para o movimento operário na luta contra o golpe de Estado em curso no país, mas quem é e qual o propósito dessa “oposição”.

Em primeiro lugar, devemos ter presente que se trata de uma oposição de direita. No curso da atual etapa política, o PSTU/Conlutas/ MAIS e a maior parte do PSOL apoiaram e apoiam o eixo principal do golpe: impeachment da presidenta Dilma, a perseguição e todas as arbitrariedades contra o ex-presidente Lula e o PT. Inclusive o PSTU chega ao ponto de defender abertamente a prisão de Lula e o PSOL a tietar o Mussolini de Maringá, juiz Sérgio Moro.

De um outro ponto de vista, essa mesma política que acusa o sindicato dos bancários de não mobilizar contra a greve geral do dia 28 é daqueles que patrocinam a presença da Força Sindical na “construção” da greve geral. Para alguém mais desavisado, vale esclarecer que a Força Sindical é uma central patronal, ela foi gestada no escritório da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O seu presidente (ou melhor o seu dono), Paulinho da Força, é deputado federal e foi testa de ferro do então presidente da Câmara Eduardo Cunha no processo do impeachment de Dilma, uma das mais grotescas manipulações já vistas na história do Brasil.

Finalmente, é necessário tecer uma breve consideração sobre a “oposição bancária”. Esse movimento nunca teve maior expressão no interior da categoria bancária. Na realidade, trata-se de um agrupamento absolutamente eleitoreiro, aparecendo para a categoria somente nos períodos eleitorais ou fazendo demagogia nas assembleias das campanhas salariais.

Nesse período do golpe, ganharam certa projeção, não por coincidência justamente no auge da gigantesca campanha de calúnias e difamações encampada pela grande frente única montada pelos norte-americanos, para dar o golpe no Brasil (banqueiros, Fiesp, Judiciário, Congresso, grande imprensa, Polícia Federal, Forças Armadas etc.).

A direita sistematicamente vem dando mostras que está disposta até mesmo de apoiar chapas e candidatos que se dizem de esquerda, mas que apostam na divisão dos trabalhadores, tão a gosto dos patrões.

Estamos diante de um momento decisivo e é importante que os bancários tenham clareza que estamos diante de um golpe de Estado que tem como fundamento principal a liquidação dos direitos, das conquistas e das organizações dos trabalhadores. É de fundamental importância, nessa eleição, a unidade da categoria para derrotar os planos da direita golpista e dos banqueiros.

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