A negociata de Temer é “corrupção” legalizada

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A lista de Fachin e a publicação da delação de Marcelo Odebrecht suscitaram um debate no País sobre como a empresa controlava o sistema político com propina e doações não contabilizadas, os jornais burgueses, num cinismo sem precedentes, se disse pasma, como se não fosse de conhecimento popular que quando um capitalista quer alguma coisa, ele a compra, e políticos são mais compráveis que vários bens materiais.

É curioso que a imprensa, a que exigiu por motivos “éticos” o impeachment de Dilma Roussef, se faça de desentendida e defenda com unhas e dentes o governo de Michel Temer, um governo antipopular e ao qual a palavra “ético”, em qualquer sentido, não se aplica.

A imprensa denunciou que a Odebrecht estendia sua influência através da propina, que sua vontade era ouvida na medida em que se despejava dinheiro aos que se queria influenciar, mas ao mesmo tempo em que os hipócritas da revista Veja e do jornal O Estado de S. Paulo se assustaram com a “República Federativa da Odebrecht”, esquecem que o mesmo é feito por vias ditas legais.

É óbvio que se a Odebrecht ou qualquer outra empresa ou empresário doa 100 mil ou 200 mil para um parlamentar, ela espera uma contrapartida, e como os políticos burgueses dependem do apoio destes para financiar suas máquinas eleitorais, é óbvio que a doação trata-se da aquisição do parlamentar pelo burguês que o financia.

O exemplo mais grotesco é, sem dúvida, o Congresso Nacional. Temer e os golpistas em mais de uma ocasião “trocaram” cargos, como ministérios, por votações em um projeto de lei. O voto de um parlamentar deveria, em teoria pelo menos, ser decidido pela livre espontânea vontade daquele parlamentar e seu entendimento da vontade da população, o que acontece é uma clara compra da posição dos parlamentares por cargos, verba, e outras regalias.

O que a Odebrecht fez não é algo novo, nem é a exceção à regra, mas sim a própria regra. Se a burguesia, principalmente o imperialismo, quer aprovar um projeto de lei usa sua influência econômica para conseguir, se o governo não responder da maneira desejada, como aconteceu no caso do PT, derrubam o governo.

O espanto às declarações de Odebrecht é um espanto de cínicos, pois legalmente também se faz isso, se faz em todas as casas dos três poderes, até no Planalto, talvez principalmente lá.

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