Ditadura de hoje difere apenas em grau da de 64

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Muitas vezes na análise de um acontecimento ou uma dada situação política se coloca o problema de quantidade ou grau e o de qualidade. O golpe dado em 2016 contra o PT foi fruto de um longo processo de transformação do regime político. Essas mudanças já se mostravam em 2012 quando Dirceu foi preso e os petistas começaram a ser perseguidos com mais afinco.

Depois do golpe, tendo os golpistas o controle do aparato do Estado nacional, dos poderes Executivo e Judiciário, provocaram uma série de mudanças de qualidade na política brasileira.

No começo desse ano um juiz determinou que iriam presos uma diretoria de sindicato de rodoviários no norte do País por fazerem greve, a postura das instituições do regime perante os trabalhadores já são em qualidade iguais às da ditadura de militar de 1964, onde eram proibidas as greves e as mobilizações operárias e populares tratadas com violência.

A operação Lava Jato tem encabeçado mudanças desse tipo. A maior parte das condenações foram realizadas à margem da lei, sem provas, apenas com a palavra desses. À maneira das polícias políticas da ditadura, a Lava Jato tem atacado sistematicamente os inimigos dos golpistas, os colocado na prisão e dependeu de confissões obtidas sob coação, ou seja, inconfiáveis por natureza, todos estes fatos são agravados pela ausência de provas materiais.

O reflexo da direita golpista seria dizer que ninguém foi torturado para obter as confissões e que não existe intervenção nos sindicatos em larga escala. Porém, foi estabelecido que é algo cabível intervir nos assuntos dos trabalhadores, proibir suas greves, multar e prender suas direções, a diferença entre hoje e a ditadura do Ministério do Trabalho que existia antes é de intensidade.

A delação “premiada” é um expediente no qual se acusa, condena-se até uma pessoa e depois usa a pena ou ameaça de prisão para fazê-la delatar outros. Não há diferença qualitativa entre ameaçar de prender uma pessoa por décadas, como efetivamente fizeram com Dirceu, e o que fez Brilhante Ustra com Dilma Roussef nos anos de chumbo, a diferença entre os dois graus é na intensidade.

O “grau” dessa ditadura que os golpistas querem estabelecer está sendo definido pela luta, ou seja, pelo nível de repressão possível de ser exercido, e pelo intensidade da reação do movimento operário. Os militantes que combateram a ditadura eram pessoas decididas politicamente, não cederiam à prisão ou ameaças desta, por isso a ditadura recorreu os métodos mais horrendos para acabar com a oposição.

Aqueles militantes derrubaram aquela ditadura, muito mais antiga e estabelecida, derrubaram-na com as greves operárias e colocando o povo nas ruas, o mesmo método e o mesmo fim de ter o governo golpista.

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