Imprensa golpista: quanto mais inimigo das mulheres, maior a demagogia

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Olhando os principais meios de comunicação nos últimos meses pode-se chegar à conclusão de que as mulheres e outros setores oprimidos da sociedade estão, enfim, alcançando um novo espaço, uma nova era de conquista de direitos. Nada seria mais enganoso.

Embora a imprensa burguesa esteja falando de problemas que afetam a vida das mulheres etc. não se trata de uma adesão às reivindicações desses setores. Afastar José Mayer por assédio, não significa que o assédio nos bastidores da Globo vai acabar e ser de fato combatido; quando coloca na capa mulheres que denunciam abusos e assédio, a Veja não está assumindo o lado das mulheres; o #agoraéquesãoelas do jornal Folha de S. Paulo e todo falatório sobre feminismo, racismo… é demagogia de uma imprensa, de uma burguesia golpista responsável pelos males que afetam esses mesmos setores.

Esses “defensores de direitos” um ano atrás participaram do linchamento da primeira mulher eleita presidente do Brasil. Dilma Rousseff foi humilhada, chamada de descontrolada, de incapaz de ocupar o cargo para o qual foi eleita, entre muitas outras coisas, e não houve quem se levantasse para defendê-la. Ao contrário, a denúncia de perseguição era considerada absurda e uma tentativa de desviar as acusações. Silenciaram sobre os xingamentos e o adesivo de carro obsceno com a foto de Dilma.

Os que agora posam de democráticos representantes dos interesses e emancipação feminina são responsáveis pelo golpe de Estado que tirou a presidenta eleita e podem realizar os maiores ataques à população brasileira de todos os tempos, ataques estes que atingem mais duramente as mulheres.

No caso da violência contra mulheres, por exemplo, falam da Lei Maria da Penha, de 2006, aprovada em pleno governo Lula e apenas por isso. Agora a tendência é oposta.

A direita apoia a demagogia da imprensa golpista por se tratar apenas disso, demagogia. No dia a dia são eles os que promovem todo tipo de abuso.

Eles são os patrões, a direita que quer destruir os direitos e as condições de vida dos trabalhadores. Aprovaram a terceirização e defendem a reforma da Previdência que afeta mais as mulheres; aprovaram o congelamento/redução do investimento público como em saúde e educação, que significa menos creches e outros serviços essenciais, além de reduzir benefícios sociais como Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família e outros que impactaram a vida de milhões de brasileiros, principalmente mulheres, responsáveis pelos cuidados e manutenção de famílias desagregadas pelo desemprego e fome, que devem voltar a ser realidade nos próximos anos se for levada adiante esse programa neoliberal.

O governo dos golpistas e da imprensa burguesa é a favor da mulher “bela, recatada e do lar”.  O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), disse que mulher trabalha menos e querem acabar com a aposentadoria, retirando a possibilidade de as mulheres se aposentarem em idade diferencial por causa da dupla jornada de trabalho etc.; Michel Temer reduziu o papel da mulher à vida doméstica em plena “homenagem” no Dia 8 de Março.

São os fundamentalistas religiosos, os reacionários que não reconhecem o direito ao aborto; que querem obrigar uma mulher a levar adiante uma gestação resultado de estupro; que desprezam a vida das mulheres, suas necessidades, seus direitos. Afirmam, em contrapartida, defender o feto, mas defendem a redução da maioridade penal e punição de crianças.

Alguns setores da esquerda pequeno-burguesa comemoraram a demagogia como se fosse uma realização. Não. A direita fascistoide avança sobre os direitos da mulheres e de toda população e conta com a imprensa golpista para isso. A demagogia serve para ocultar os brutais ataques dos golpistas contra as mulheres. Quanto mais demagogia a imprensa direitista faz com o “machismo”, podemos ter certeza que nos bastidores, a direita golpista prepara um novo e mais profundo ataque contra as mulheres.

Por nosso lado, é preciso fazer avançar a resistência, com nossas próprias forças e instrumentos.

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