USP inaugura instituto de pesquisa ligado à organização fundada por FHC com dinheiro da CIA

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Na última semana, mais especificamente no dia três de abril, a Universidade de São Paulo (USP) inaugurou o Instituto Merian América Latina que, segundo a universidade, foi “concebido como um fórum dinâmico da produção e disseminação do conhecimento e caracterizado pela cooperação horizontal e simétrica entre pesquisadores de diferentes disciplinas e países, abrigando pós-doutores e pesquisadores seniores” para pensar o continente Latino Americano.

O novo instituto que terá financiamento estrangeiro, do Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha, e será instalado no prédio do Centro de Difusão Internacional (CDI), no campus Butantã da USP em São Paulo, capital.

Ato de Inauguração do Instituto Merian na USP com a presença do Reitor Zago. Foto: Cecília Bastos/USP Imagem

O Instituto Merian é parte de um consórcio formado pela USP e outras seis instituições, entre elas, três universidades alemãs — Freie Universität Berlin, Universität zu Köln e Ibero-Amerikanisches Institut,  a Universidad Nacional de La Plata e El Colegio de México e o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) que comandará o Instituto Merian no Brasil, por meio da USP. Já as parcerias do México e Argentina divulgaram as ideias do Instituto Merian nos países de língua espanhola da América Latina e no Caribe.

 

Segundo publicação oficial da USP, “o novo instituto estudará os desafios das sociedades desiguais”, um termo tanto quanto vago, mas que pode-se entender que seria algo como as desigualdades sociais na América Latina. Chama a atenção que enquanto a USP, por meio do Reitor do PSDB, Marco Antônio Zago, está privatizando a maior universidade da América Latina, com uma política de cortes de verbas e demissões em massa que vão aumentar as desigualdades sociais dentro da comunidade universitária,  a própria reitoria estaria preocupada com as desigualdades dos povos latinos americanos com a criação deste novo instituto.

Mas um dado muito interessante é que o parceiro da USP no Brasil que vai atuar neste novo instituto é o Cebrap, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Para quem não conhece a história do Cebrap é importante saber. Este centro de pesquisa foi criado em 1969 pelo ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. Depois de exilado do País no começo da ditadura, FHC voltou ao Brasil no pior ano do regime militar. O ano do AI-5 (Ato Institucional 5). Neste ano FHC fundou o Cebrap por meio de financiamento da Fundação Ford. Inicialmente foram doados 145 mil por Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil, que se reuniu com FHC para fazer a doação. É notório que a Fundação Ford é um dos “braços” da CIA e durante as décadas de 1950, 1960 e 1970 financiou artistas e intelectuais de direita e esquerda para aumentar a influencia da política imperialista. Isso foi constatado quando o Cebrap começou a fazer campanha em favor da maior dependência econômica dos países sulamericanos ao imperialismo norte-americano. Com a fachada de esquerdista contrário à ditadura, FHC e outros intelectuais do Cebrap faziam palestras e publicavam livros com campanha pró-imperialista. Na época lançou, com o economista chileno Faletto, o livro “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, que defendia a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos.

Meme falando da ligação de FHC com a CIA.

Os textos e trabalhos apresentados pelo Cebrap durante a ditadura militar tinham um claro interesse em se distanciar da esquerda revolucionária ou nacionalista. Fazia crítica ao nacionalismo, ao varguismo e às vertentes esquerdistas que haviam optado pela luta armada. Por trás da ideia de que  queriam estudar a realidade político-social brasileira de outro ângulo, “mais moderno”, combatiam a resistência ao regime militar. Para maiores informações sobre o financiamento da CIA à FHC e outros intelectuais é recomendado o livro de Frances Stonor Sauders, “Quem pagou a conta? A CIA na Guerra fria da Cultura”.

A criação do Instituto Merian com o Cebrap em meio ao golpe de Estado no Brasil não é de se estranhar. O novo instituto pretende estudar a América Latina que no momento está sob ataque constante do imperialismo em vários países, Venezuela, Argentina, Paraguai, Bolívia, Cuba, Honduras e claro, o Brasil. Pode ser mais uma fachada para apronfundar o golpe no Brasil e nos outros Países. Pode facilmente se transformar num instrumento para que intelectuais golpistas disfarçados de pensadores, humanistas, esquerdistas etc apontem de maneira confusa e difusa a submissão à política imperialista. O dono do Cebrap já demonstrou em oito anos governando o Brasil que sabe defender o imperialismo.

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