Perfil: Nikolay Markin, marinheiro e bolchevique

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Nikolay Markin foi um marinheiro da Marinha Imperial do Mar Báltico Russo, um artilheiro e um bolchevique. Markin foi também o ministro não oficial dos Negócios Estrangeiros de Trotski, que o definiu como uma pessoa que resolvia todos os problemas que apareciam.  Markin foi descrito no livro “Minha vida” de Trotski, como alguém a quem o líder bolchevique era bastante grato, porque “através dele, ou melhor, através de um Markin coletivo (…)”, ou seja, várias pessoas de natureza revolucionária como Markin, “a revolução de outubro foi vitoriosa”.

Leon Trotski, depois das jornadas de julho, afirma que a situação na Russia era tomada por total calúnia contra os bolcheviques. O líder bolchevique tinha sido preso pelo governo de Kerensky e, dois meses depois do regresso do exílio foi mantido na prisão de Kresty novamente.

Por causa dessa situação problemática: os preparativos para a revolução de outubro, a perseguição política após a libertação de Trotski da prisão pela “democracia revolucionária”, perseguição a seus filhos e sua esposa, Trotski e sua família queriam deixar o apartamento alugado devido a perseguição na vida cotidiana também, do porteiro, dos colegas de seus filhos na escola, da dona da casa em que moravam e até de comerciantes, porém não encontravam mais nenhum em toda a cidade.

A situação era cada vez mais insuportável para a família do revolucionário, até que um dia a perseguição cessou abruptamente: o porteiro da casa não ignorava mais sua esposa e nem a olhava com ódio, os filhos tinham parado de ser perseguidos na escola, ninguém mais batia a porta na cara da família de Tróstski, e o pão nâo faltava mais na mesa. Quem conseguira essa mudança quase mágica? Nikolay Markin. “Devo dar créditos a ele, porque através dele, ou melhor, através de um Markin coletivo, a revolução de outubro foi vitoriosa.” afirmou trotski.

Markin era um marinheiro na Marinha do Báltico, um artilheiro e um bolchevique. No início, não sabíamos de sua existência – não era sua maneira de avançar. Markin não era um orador; Palavras lhe chegavam com dificuldade. Além disso, ele era tímido e mal-humorado, com a hostilidade de uma força movida em profundidade. Ele foi cortado de uma só peça, e do mais puro corante. Eu nem sabia que ele existia quando se comprometeu a cuidar da minha família. Ele conheceu nossos meninos, os tratou com chá e sanduíches e, em geral, forneceu-lhes os pequenos prazeres que eram tão difíceis de obter naquele período sombrio. Markin chamou o zelador chefe e o comitê da Câmara, não sozinho, eu acho, mas com um grupo de marinheiros. Ele deve ter usado algumas palavras muito persuasivas, porque de repente tudo sobre nós foi mudado. Só muito depois aprendemos que o marinheiro, o amigo de nossos filhos, era o responsável por tudo isso.” descreveu Trotski.

Markin foi essencial quando os sovietes tornaram-se bolcheviques. E quando o Comitê Executivo Central, oposto aos bolcheviques, usou o apoio dos proprietários das gráficas para privar o sovietes do jornal, Trotski consultou Markin para resolver o problema das gráficas, e o marinheiro desapareceu em seu “abismo” por algum tempo, fez as ligações necessárias, conversou com gráficos e após alguns dias os bolcheviques tinham jornal de novo.

Foi chamado de “O trabalhador e o soldado”. Markin passava o dia e a noite no escritório resolvendo problemas. Durante os dias de outubro, sua figura sólida, e cabeleira escura, aparecia nos lugares mais perigosos e cruciais, Markin era a pessoa certa na hora certa. Telefonava para Trotski apenas para dizer que estava tudo bem, ou se ele precisava de mais alguma coisa.

Markin estabeleceu a ditadura do proletariado em Petrogrado, e na mesma cidade começou a pilhagem das ricas adegas da capital. Por detrás dessas pilhagens havia pessoas com a intenção de consumir a revolução nas “chamas do álcool“, como descreveu Trotski, e rapidamente Markin percebeu o perigo da sabotagem da revolução e foi combate-lo. Vigiava as adegas, e quando não conseguia manter a guarda, ele mesmo destruía o estoque derramando os caríssimos vinhos nas ruas cobertas de neve de Petrogrado.

Com revólver na mão, Markin lutou por um outubro sóbrio. Embebido até a pele, e exalando a fragrância dos melhores vinhos, voltava para casa, onde nossos dois garotos estavam esperando sem fôlego por ele. Markin venceu o ataque alcoólico da contra-revolução.

Markin tornou-se um ministro não oficial de assuntos estrangeiros. Ele aprendeu o mecanismo do comissariado rapidamente, levou a cabo a remoção dos diplomatas e ladrão com uma mão firme, reorganizou o escritório, confiscou para o benefício dos sem-teto o contrabando que ainda estava vindo do exterior, extraiu os documentos secretos mais instrutivos dos arquivos e os publicou sob sua própria responsabilidade e com seus próprios comentários, em panfletos separados.

Markin não tinha nenhum grau acadêmico, e sua escrita não era livre de erros gramaticais. Seus comentários eram por vezes bastante inesperados. Mas, no geral, ele levou as unhas diplomáticas firmemente, e nos pontos onde eles eram mais necessários.

Então a guerra civil começou. E Markin preencheu várias brechas. Sempre que Trotski ficava sabendo que o homem no ponto de perigo do combate era Markin, sentia-se aliviado e animado. Mas sua hora chegou. Em Kama, a bala de um inimigo ultrapassou Nikolay Georgiyevich Markin e o derrubou dos pés de seu forte marinheiro.

Trotski narra: “Quando o telegrama falando de sua morte chegou até mim, senti como se uma coluna de granito tivesse caído na minha frente. Sua fotografia estava na mesa das crianças, em um boné de marinheiro com fitas. “Meninos, meninos, Markin está morto!”

Duas faces pálidas estavam torcidas com uma dor súbita diante de mim. Tinham estado em pé de igualdade com o mal-humorado Nikolay. Ele os havia iniciado em seus planos e nos segredos de sua vida. Com lágrimas nos olhos, dissera a Seryozha, de nove anos, que a mulher que tanto amara e tanto tempo havia abandonado, e por isso muitas vezes havia escuridão e mal-estar em sua alma. Em um sussurro assustado, e com lágrimas nos olhos, Seryozha confiava esse segredo a sua mãe. Este amigo terno, que tinha aberto a alma aos meninos como se fossem seus iguais, era ao mesmo tempo um velho lobo marinho e revolucionário, um verdadeiro herói, como os dos mais maravilhosos contos de fadas. Poderia realmente ser verdade que o Markin que, no porão do ministério, tinha-lhes ensinado como usar revólver e arma estava morto? No silêncio da noite, dois pequenos corpos tremeram sob seus cobertores depois que a notícia negra chegou. Só sua mãe ouvia seus soluços desconsolados.

Trotski, responsável por tornar Markin conhecido, também disse que a revolução é uma grande devoradora de caráter, a revolução levou-o a seu fim, mas mesmo na sua última hora, Markin se manteve um bolchevique convicto, mostrando o melhor do proletariado russo. O marinheiro foi um grande revolucionário, pois a revolução foi feita por pessoas como ele, que defendiam o socialismo e o partido, com ou sem créditos atribuídos, essa série terá grandes personalidades com a história contada, mas faremos o possível para não esquecer de pessoas como ele.

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