Federais e Institutos Federais querem cobrar mensalidades de alunos

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Camila Tenório Cunha*

 

Nova denúncia, sobre o que foi ouvido em reunião com a secretária do MEC com reitores de universidades federais, houve garantia de que eles cobrarão mensalidades de seus alunos, tantos as universidades, quanto os Institutos Federais.

Boa parte dos alunos dos Institutos Federais só conseguem estudar porque, além de não pagarem mensalidades, recebem assistência estudantil. O passe, a assistência estudantil, o uniforme, livros, são fornecidos para que possam receber conhecimento, para que ocorra democratização do conhecimento e transformação da sociedade. Assim, a proposta visa expulsar dessas instituições os filhos da classe trabalhadora.

Quando há privatização destes setores, há uma elitização da vida, do conhecimento, e, deste modo, poucos sobrevivem às doenças, e, o conhecimento é usado como instrumento de poder, dominação, sustentação de injustiças e desigualdades sociais.

Países que se transformaram investiram em educação pública de qualidade, não apenas países nos quais triunfaram uma revolução proletária, com Cuba, China, Rússia etc., mas até mesmo, capitalistas, como Finlândia, Suécia e Alemanha. Foi com um  investimento pesado em educação pública de qualidade que o Japão se recuperou de duas bombas atômicas.

Logo que o golpe ocorreu, na sua primeira etapa ainda, abril de 2016, sendo inclusive inconstitucional, o governo golpista de Temer diminuiu assistência estudantil dos alunos de graduação nas federais.  Com este corte muitos teriam que parar de estudar em cursos que só existem do modo integral, para irem trabalhar durante o dia. Alguns cursos não existem na modalidade noturna. O processo de democratização às universidades sofrera seu primeiro golpe logo ali, na primeira semana de Temer.

Quando a secretária do governo golpista garantiu que haverá cobrança de mensalidades destes alunos, como se a conta desta crise não fosse uma elite vendida ao capital externo e sim o povo ter direitos, vi toda uma conquista de anos de projeto político popular se diluir.

Durante anos como educadora vi muitos alunos desistirem de estudar, passarem fome, precisarem trabalhar. Ouvi, no início de 2016, um aluno do IFSP com medo que este projeto popular  acabasse, que entrasse o neoliberal do Temer (Ponte para o Futuro) porque ele só não havia passado fome graças ao bolsa família e outros projetos sociais.

Este grupo golpista  que representa interesses de elites  internacionais, apoiados por uma classe média com valores burgueses hipnotizadas pelo plin-plin, não sabem o quanto a cobrança de mensalidades poderá prejudicar nossos jovens

Quem já viu jovens com fome, e, depois viu jovens conseguirem livros, estudos, uniformes, empregos com suas profissões de técnicos, sabe o quanto é importante que mensalidades não sejam cobradas, que direitos sejam garantidos.

*Professora Camila Tenório Cunha, 44, educadora de ensino básico há vinte anos, num primeiro de abril em que tristemente escolhi falar sobre verdades.

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