Em defesa do direito de greve!

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Na última semana, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal decretou a greve dos professores estaduais ilegal e ordenou os educadores a voltarem para as salas de aula, longe de ser um ato isolado. Existe uma política consistente de ataque ao direito de greve. Existem projetos de lei obrigando servidores públicos a manterem um efetivo trabalhando de até 80%, na prática, uma proibição do direito.

Mascarado com justificativas democráticas, como a de que alguns setores são vitais, a antiga política da ditadura militar de regulamentar os sindicatos, de usar os tribunais e a polícia para esmagar greves está lentamente se reorganizando. Nos últimos anos da ditadura, os militares intervieram no sindicato de Lula, levaram-no e sua diretoria presos por terem feito uma greve, a greve não era oficialmente contra o governo, a ditadura, como durante toda a sua existência, estava defendendo os patrões contra o povo.

Algo similar ocorreu durante o governo FHC, durante o governo neoliberal, os petroleiros responderam com força aos ataques de FHC, fizeram a maior greve que a categoria já fez, FHC multou os petroleiros em quantias milionárias, 20 sindicatos multados em 2,1 milhões cada um, vários foram demitidos, os petroleiros, mesmo derrotados, impediram os tucanos de privatizar a estatal do petróleo. Casos como esse são comuns a toda a história brasileira.

Com a vitória dos golpistas, essa política, que nunca se esvairiu completamente, ganhou renovado impulso, em janeiro deste ano, um tribunal decretou prisão da diretoria do sindicato dos rodoviários por fazer greve.

O caso dos professores é um alerta, novamente, está em risco o direito de greve. O direito fundamental do trabalhador contra os patrões.

Na luta contra os patrões, numa negociação salarial, a primeira arma à mão dos trabalhadores é parar a produção até que suas exigências sejam atendidas. Sem a possibilidade e, na maioria dos casos, o ato de greve, que arma teriam os trabalhadores contra as injustiças dos patrões? Nenhuma, não haveria maneira de pressionar a burguesia.

Para o trabalhador sobrariam duas opções : Trabalhar da maneira e nas condições que os patrões quiserem ou lançar-se no desemprego.

O direito de greve, que a ditadura de 64 foi decida em retirar, está para as relações trabalhistas, como o direito de resistir à opressão, estava para a revolução francesa. é uma necessidade inviolável, e não pode ser regulamentada nem relativizada.

O direito de greve, como direito essencial para a população, é um direito de resistir a opressão da burguesia no local de trabalho e país afora. Se um setor é tão fundamental que a burguesia não pode arcar com o preço de uma greve, que pague bem os trabalhadores para que não precisem, e se entrarem em greve, atenda as reivindicações, querem explorar o povo e fazê-lo se calar.

A ditadura foi caindo na medida em que o povo tomava para si o direito de fazer greve e o direito de manifestar, o direito de votar. A ditadura que os golpistas estão erguendo, ergue-se tentando caçar esses mesmo direitos.

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