Doria joga concurso de professores no lixo

Compartilhar:

O concurso da Prefeitura do município de São Paulo para a contratação efetiva de professores para o ensino Fundamental e Médio, realizado pela gestão do governo petista de Fernando Haddad, ocorreu em 24 de abril de 2016. O concurso teve um enorme número de candidatos, chegando a 73.937 inscritos nas mais de 13 disciplinas do currículo municipal, para apenas 2.472 vagas. Tais números mostram o enorme número de professores desempregados ou sub empregados, como é o caso de milhares de professores da rede estadual de ensino da chamada categoria O, com praticamente nenhum direito trabalhista. Algumas disciplinas como Língua Portuguesa e Educação Física com milhares de professores inscritos, mostraram a enorme concorrência entre os trabalhadores da educação, chegando a ter a relação de número de candidatos/vaga de 125 e 109, respectivamente, mostrando o verdadeiro caos da sociedade capitalista.

Os resultados oficiais do concurso com os aprovados nas diversas disciplinas foram dados em meio ao golpe de Estado em vigência no Brasil, no dia 27 de agosto de 2016 e no qual o governo Fernando Haddad também sentia todas as pressões. Dentre estas pressões, uma delas dizia respeito ao concurso, onde por pressões do governo tucano golpista de João Doria, eleito em outubro de 2016, o prefeito Fernado Haddad não procedeu a homologação do concurso, o que obrigaria a gestão a iniciar o processo de contratação dos aprovados.

Iniciado o governo tucano em janeiro passado, os milhares de aprovados, já dispunham de informações que o número de vagas havia crescido substancialmente, devido a aposentadorias e falecimentos de servidores, com isso centenas de escolas iniciavam o ano letivo sem milhares de professores o que aumentava a expectativa de efetivação dos aprovados.

No entanto, o governo do milionário Doria já anunciava no início do mandato que não homologaria o concurso com uma série de desculpas esfarrapadas, como a de que a homologação e a efetivação dos professores demandariam um prazo longo e que as centenas de escolas com defasagens de professores em seus quadros não poderiam esperar tanto tempo. Por isso seria necessário abrir uma contratação de professores temporários para suprir o quadro municipal atendendo a comunidade estudantil.

Após pressões dos milhares de concursados nas redes sociais e alguns atos, a prefeitura abriu no mês de fevereiro inscrições nas escolas municipais para cadastro de professores. Durante uma semana milhares de professores perambularam por centenas de escolas da capital, gastando bastante dinheiro e tempo, para no último dia de inscrições a Secretaria Municipal vir a público anunciar a prorrogação das inscrições por mais uma semana, mas dessa vez nas Diretorias Regionais de Educação (DREs), tal prorrogação ocorreu por denúncias de que em muitas escolas estava colocada a possibilidade de fraude nas regras da contratação que deveria respeitar na ordem os critério de: 1°)aprovação e melhor classificação no concurso; 2°)Maior tempo de carreira nos magistérios públicos e privados para professores não aprovados no concurso ou que não realizaram o mesmo.

Após toda essa via crucis, algumas delegacias de ensino da capital iniciaram chamadas esporádicas dos melhores classificados em apenas algumas disciplinas, através do Diário Oficial e até o momento as mais de 13 diretorias regionais não chamaram sequer 100 professores, mostrando o total desprezo da direita no poder municipal pelos professores e pelas comunidades escolares.

Tal ataque aos professores tem a ver com as medidas golpistas no governo federal, como a terceirização e o fim da Previdência. Aqui o golpista de plantão à frente do governo municipal espera a melhor ocasião para impor estas reformas aos novos concursados através de suas medidas como a Sampaprev, instituto que Doria pressionou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, reenviou para a Câmara Municipal de São Paulo no dia 28 de dezembro passado. Trata-se de um Projeto de Lei que pretende estabelecer um valor máximo para pagamento de aposentadorias aos servidores públicos municipais e criar um plano de previdência privada para o funcionalismo.

O texto enviado aos vereadores no final de 2016 diz que os servidores terão um teto de pagamento de aposentadoria igual ao da iniciativa privada, estabelecido pelo Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que atualmente é de R$ 5.189,82. Para manter a paridade (garantia de salários aos aposentados iguais aos dos servidores em atividade) e receber mais do que o teto, os servidores terão de aderir a um plano de previdência privada complementar do Município de São Paulo (Sampaprev). Aderindo ao plano, o servidor terá de fazer um pagamento adicional, onde há possibilidade de tais descontos com a previdência atingir 30% do valor dos salários do servidor.

O exemplo dos professores concursados é mais uma das facetas do golpe de Estado no Brasil e a única saída real é a luta pela derrubada dos golpistas engrossando as manifestações nacionais que se iniciam na próxima sexta-feira 31, contra as terceirizações e a reforma da Previdência.

artigo Anterior

Vídeo: “3 de maio, ocupar Curitiba e defender Lula” já possui mais de 250 mil visualizações

Próximo artigo

Gleisi Hoffman: “Deram um golpe para acabar com os direitos da população”

Leia mais

Deixe uma resposta