5 revoluções coloridas impulsionadas pelo imperialismo

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As chamadas “revoluções coloridas” sempre começam da mesma forma. Protestos coxinhas que pretensamente representariam o conjunto da população, geralmente mobilizados em torno de denúncias de corrupção. O símbolo desses protestos são as bandeiras nacionais, por isso revoluções coloridas, com as variadas cores das bandeiras dos países acometidos por tais revoluções. O apoio popular não é verdadeiro, mas os coxinhas colocados na rua são apresentados como “a população”, que estaria indignada com o governo, que portanto deve ser derrubado. O governo não é derrubado pelos próprios coxinhas, as chamadas “revoluções coloridas” levam à derrubada de governos por tribunais, parlamentos ou pelos militares. Abaixo, listamos cinco exemplos recentes desse tipo de golpe, em que a direita pró-imperialista se esforça antes para apresentar um apoio popular que não tem.

1. Egito

Em 2011, no marco da Primavera Árabe, uma revolução popular derrubou o então presidente Hosni Mubarak, que estava à frente de uma ditadura brutal há décadas. Solto na semana passada, na época Mubarak foi preso e julgado por crimes contra a humanidade pela repressão de seu regime. Em 2012 os egípcios elegeriam um presidente pela primeira vez, Mohamed Morsi, da irmandade Muçulmana.

Um ano depois, em julho de 2013, protestos contra o governo seriam usados para justificar um golpe militar que estabeleceria uma ditadura pior do que a anterior, de quando Mubarak estava no poder. Durante os protestos, a BBC chegou a noticiar que 17 milhões de pessoas teriam protestado contra o governo antes de sua queda. Uma fraude evidente que é característica desse tipo de golpe. Um terço da população do país inteiro teria protestado contra um governo eleito, balançando bandeiras do Egito.

No caso de Morsi a acusação principal não foi de corrupção, embora esse fosse um elemento presente. A Irmandade Muçulmana foi acusada de tentar estabelecer uma ditadura islâmica no Egito. Esse foi o pretexto para setores ligados ao imperialismo levarem adiante uma campanha para derrubar o governo. Com a fantasia da ditadura islâmica justificaram o estabelecimento de uma ditadura militar. Na época do golpe militar liderado por Abdel Fatah Al Sisi, o PSTU saudou o acontecimento como uma revolução.

2. Ucrânia

Seis meses depois, em janeiro de 2014, seria a vez da Ucrânia sofrer um golpe. Dessa vez, EUA e UE (União Europeia) estavam por trás das mobilizações. A principal acusação era de corrupção, e de novo as bandeiras nacionais estavam lá. Dessa vez um fator se destacava, o uso da direita de grupos fascistas violentos para manter os protestos na Praça Maidan. Os fascistas ucranianos são uma herança direta da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Os EUA financiava grupos nazistas depois do fim da guerra para sabotar a URSS, e continuou financiando depois do colapso soviético.

Novamente, grupos morenistas como o PSTU, além do próprio PSTU, viram uma revolução na arruaça fascista usada para precipitar o golpe. Diziam que era necessário disputar a liderança dos atos com os fascistas, erro que, no Brasil, foi levado a sério e abraçado como política por um pequeno grupo uspiano chamado Movimento Negação da Negação (MNN), que chega de fato a ir nos coxinhatos daqui imaginando disputar a liderança dos coxinhas.

3. Venezuela

Na Venezuela a “revolução” coxinha fracassou em diversas ocasiões. Mas a ofensiva golpista é contínua. A acusação mais usada contra o governo é a suposta falta de democracia. Como aconteceu no Egito, a direita quer estabelecer uma ditadura acusando o governo de ser ditador. Curiosamente, eles dizem isso dentro da própria Venezuela. Como em toda revolução colorida, a bandeira nacional está sempre lá, apesar de o objetivo da direita golpista teleguiada ser entregar o petróleo para empresas estrangeiras, petróleo que consiste na maior reserva do mundo.

Na Venezuela é marcante que a mobilização consiste em colocar uma classe média coxinha emburrecida nas ruas, algo muito parecido com os coxinhatos no Brasil. Uma classe fácil de mobilizar com pautas vazias, em protestos que não fazem nenhuma reivindicação social concreta.

4. Rússia

Neste domingo (26), manifestações aconteceram em dezenas de cidades da Rússia. O alvo era o primeiro-ministro, Dmitri Medvedev. As manifestações foram convocadas pela oposição a Vladimir Putin. Novamente, lá estavam as bandeiras nacionais e as acusações de corrupção. ONGs estrangeiras fazem campanha contra Putin há anos, principalmente em torno de uma suposta falta de democracia. Como nas outras “revoluções coloridas”, o objetivo é derrubar o governo.

5. Brasil

Chegamos ao Brasil. Aqui vimos de perto todas essas manobras para apresentar um golpe de Estado como anseio popular. Coxinhas foram convocados pela imprensa burguesa para atuar como representantes do povo. No entanto, bastava olhar para as fotos dos protestos para reconhecer que se tratava de uma ínfima minoria. Fotos emblemáticas mostravam, por exemplo, manifestações em Salvador compostas quase exclusivamente por brancos. Na Avenida Paulista, o perfil de classe média era óbvio. Os coxinhas eram e são maioria por uma questão demográfica.

A fraude dos números foi absurda, com estimativas de milhões de pessoas em uma avenida em que elas simplesmente não caberiam, nem teriam como chegar ao protesto a tempo. Os jornais da imprensa burguesa aumentavam o número de manifestantes coxinhas em vinte vezes quando sos protestos estavam no auge. Essa foi a manobra para apresentar um apoio popular ao golpe, apoio que a direita nunca teve.

As acusações de corrupção e de “ditadura” também foram usadas no Brasil por corruptos que estão tentando implantar uma ditadura. (O PT era ridiculamente acusado de tentar implantar uma ditadura comunista). Acusações cuidadosamente elaboradas para mobilizar coxinhas, já que também não correspondiam a nenhuma reivindicação social concreta, como direitos, salário etc.

Nos atos coxinhas do Brasil, assim como aconteceu na Ucrânia, também estavam presentes os grupos de extrema-direita, como por exemplo os nazistas Carecas do ABC. Mesmos grupos usados em 2013 para atacar a esquerda durante as manifestações. Assim com na Rússia, também tínhamos aqui ONGs alimentando uma ideologia contrária ao PT, como por exemplo os Estudantes Pela Liberdade e o Instituo Millenium.

Com variações em cada um desses casos, reconhecesse o uso consistente de um método para dar golpes de Estado. O método não se repete por acaso, os agentes por trás desses golpes são os mesmos. Todos esses golpes, vitoriosos ou fracassados, eram golpes em favor do imperialismo. Depois do colapso neoliberal de 2008, o capitalismo nunca mais saiu de sua nova etapa de crise, uma crise mais grave. Para o imperialismo, colocou-se a necessidade de intensificar a exploração dos países atrasados, atacando as condições de vida da população para aumentar a exploração dos trabalhadores. Essa mudança implica a necessidade de alterar o regime político, que precisa ser mais repressivo para enfrentar a resistência popular ao programa imposto pelos golpistas. Tanto na Ucrânia quanto no Egito, a repressão é imensa. No Brasil, a direita começa a ensaiar esse passo, mas enfrenta uma crescente mobilização dos trabalhadores contra o governo golpista.

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