PSOL acredita na ciranda vencendo o canhão

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Uma polêmica sobre a condução do último ato de 8 de Março em Brasília suscitou um debate com a esquerda pequeno-burguesa, em particular o PSOL, em relação a concepções opostas sobre a luta da mulher.

Em suma, o PSOL ficou ofendido com uma crítica feita pelo PCO sobre o método que poderíamos chamar de feminismo-acadêmico-demagógico-cirandeiro-democrata, “democrata” aqui se refere ao Partido Democrático norte-americano, um dos principais partidos da burguesia imperialista.

Durante o ato em Brasília, por algum motivo que não fica claro, perigosos militantes do PCO teriam impedido que as feministas do PSOL realizassem sua manifestação cultural, que envolvia uma roda de ciranda e mais alguma mística que não sabemos exatamente qual.

Em nota oficial, o PSOL acusou o PCO de ser “fundamentalista político” que “insiste em condenar e atacar expressões do feminismo decolonial e interseccional, como as rodas de cuidado, as cirandas, as reflexões identitárias, atuações artísticas, construções mais horizontais e (pasmem) até mesmo a alegria.”

Em meio a um golpe de Estado no País, em que a primeira mulher eleita presidente foi retirada à força por uma direita reacionária, que coloca em risco todos os mínimos direitos conquistados pelas mulheres e pelos trabalhadores em geral, o PSOL ataca o PCO por ser contra a alegria. Pasmem!

Não sabemos exatamente o que é a “alegria” do PSOL, com certeza não é a mesma que a nossa e com certeza, se fôssemos discutir esse assunto tão importante para os rumos da luta revolucionária, provaríamos inclusive a que o PCO defende a “alegria” muito mais do que o PSOL, basta comparar as posições dos dois partidos sobre as manifestações culturais do povo como o futebol e o carnaval. Mas deixemos a “alegria” de lado.

O que o PSOL deixa escapar ao defender o direito de fazer ciranda em detrimento do “fundamentalismo”  do PCO é sua ideologia pequeno-burguesa, oposta a uma concepção classista da luta da mulher e da luta em geral. Para o pequeno-burguês, sua individualidade está acima de tudo. Por uma “roda de abraço”, as feministas atacam o PCO por querer lutar contra o golpe. É esse o significado do “fundamentalismo” do PCO; a defesa de que as mulheres se organizem politicamente contra os golpistas.

Se as mulheres do PSOL querem dançar e se abraçar, quem somos nós para impedir? Mas não deixaremos de falar que isso não só é ineficiente para lutar contra o golpe como é essa política a responsável por fazer a avançar a direita.

Enquanto a direita ataca com violência os direitos do povo, a esquerda pequeno-burguesa dança. Essa esquerda retrocedeu ao tempo em que se acreditava que “as flores venceriam os canhões”. Até o saudoso Geraldo Vandré, para não dizer que não falamos de arte, já havia alertado para essa obviedade.

Há ainda outra questão importante sobre o feminismo do PSOL: a adaptação ideológica ao imperialismo. A ideia de que a “cultura” seria tão ou mais importante do que a luta política é uma importação do Partido Democrático, de Hilary Clinton, a senhora da guerra. Essa ideologia imperialista é uma demagogia com setores oprimidos da sociedade para encobrir a política genocida e golpista nos Países do mundo.

No final das contas, podemos concluir que o PSOL adota a política dos que promoveram o golpe no Brasil. Isso explica por que essa esquerda pequeno-burguesa até agora se recusa a aceitar que houve um golpe no País e não quer lutar contra ele.

O “fundamentalismo” que o PSOL acusa no PCO revela exatamente essa mentalidade imperialista. O próprio termo é usado e abusado pelo imperialismo para atacar as organizações que se levantam contra sua dominação.

Por fim, é preciso dizer que essa ideologia é a responsável pelo fortalecimento da direita. Como dissemos, a política decidida da extrema-direita nunca será combatida com palavras, mas com uma política que seja mais enérgica. A ciranda pode agradar meia dúzia de pequeno-burgueses, mas com certeza não vai mobilizar o operário e as mulheres trabalhadoras que precisam lutar a cada dia pelo sustento de sua família, enfrentando a opressão e exploração na fábrica e nos bairros.

A esquerda precisa de um partido operário e revolucionário, que defenda acabar com a direita e a burguesia à força, ou seja, através da luta política prática. Se o fascismo vem com violência, nós, os trabalhadores, nos organizamos para retribuir na mesma moeda.

Gostaríamos ainda, como nota de fechamento dessa artigo, protestar contra a banalização dessa expressão legítima do folclore brasileiro, que é a ciranda. Nas mãos do PSOL e da esquerda pequeno-burguesa, tudo fica ridículo.

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