Dualidade de poder, o que é e qual a sua importância para a revolução?

Compartilhar:

Sem compreender o fenômeno revolucionário que é a dualidade de poder, sem incentivá-lo dá-lo forma organizada, é impossível atuar corretamente no sentido de fazer com que o poder da classe operária tome conta de uma fábrica, quanto mais de um país inteiro.

Lênin e Trótski tinham para usar como exemplo desse fenômeno os sovietes, as mais avançadas organizações operárias fora dos partidos. Hoje, porém, os sovietes já não governam em Petrogrado, então deve-se usar o caminho inverso que Lênin e Trótski usaram para explicar o problema.

“A história de toda a sociedade até aqui, é a história da luta de classes” diziam Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista. Hoje, a luta de classes é uma luta entre os trabalhadores e a burguesia. Na sociedade capitalista, o controle da sociedade está com a burguesia, a sociedade é organizada pelo Estado. Ele define as leis, controla a polícia, regulamenta a economia. No capitalismo, o Estado é controlado pela burguesia. Ele tem a função de garantir o funcionamento da economia capitalista, de defender a propriedade privada, de defender o interesse dos patrões contra o dos trabalhadores.

Exemplos são muitos, no judiciário, a população pobre é esmagada, enquanto, mesmo tendo cometido crimes iguais ou piores, o rico é poupado. Como diz a internacional comunista: “ao rico tudo é permitido, o Estado esmaga o oprimido”. Os ministros defendem o interesse da burguesia, mantém os salários baixos, exigem 20 anos de congelamento das finanças públicas, em benefício dos rentistas, em detrimento de todos que dependem do Estado, o congresso ataca duramente os direitos trabalhistas. Os tribunais proíbem as greves e assim por diante.

A luta dos trabalhadores é em primeiro lugar para resolver um problema: o da propriedade. A sociedade capitalista tem como ideia sacra a de defender a propriedade privada dos meios de produção. A ideia de defender a possibilidade de uma pessoa ser dona de uma fábrica, de uma fazenda, de um supermercado, ser dona de coisas que produzem. Os capitalistas, através de seus intelectuais, da imprensa e da doutrinação geral, ensinam que isso é um sinal de liberdade. Não poderia ser. É na verdade a certeza da escravidão por meio do trabalho assalariado.

Para que uma pessoa seja dona de uma montadora como a Volkswagen, é necessário que centenas de milhares de pessoas não tenham propriedade de meio de produção algum e sejam obrigadas a trabalhar para outro, é um mecanismo que garante que os poucos se enriqueçam às custas dos muitos, o trabalhador produz e o burguês enriquece, não é um direito, é um privilégio, pois não é possível que todos sejam proprietários privados, um sistema progressivo de desigualdade.

O trabalhador para mudar essa realidade deve governar, para ele precisa tomar o poder. A burguesia não cedeu em nenhum momento da história o poder de maneira pacífica, apenas por meio revolucionários.

Em períodos de luta intensa, um fenômeno surge, apesar da sociedade ser controlada pela burguesia e o Estado burguês, surge um segundo poder, um poder operário, esse poder começa a disputar o poder primeiro em escala local, para depois disputar o poder central, é um sinal de que a classe operária está se preparando para tomar o poder, isso é dualidade, existe o poder da burguesia e do proletariado ao mesmo tempo.

Isso teoricamente é bem claro. Para ilustrar, em escala minúscula, uma greve com ocupação de fábrica. Numa greve em que os trabalhadores ocupam a fábrica, mesmo que temporariamente, os trabalhadores estão disputando o controle da fábrica, estão disputando a propriedade daquela fábrica. Mas a ocupação de fábrica é algo momentâneo, é necessário dar a elas, um caráter permanente. Os comitês de fábrica dão um caráter permanente à dualidade. Os comitês de fábrica começam a tomar decisões na própria produção, decisões maiores na medida da força do movimento. Os trabalhadores começam a governar cada vez mais, debaixo da ditadura dos patrões, isso é a dualidade.

Os sovietes surgiram na Rússia como um órgão de toda a classe trabalhadora, para representá-la politicamente. Para organizar mobilizações e depois quando a revolução avançava ele começou a tomar decisões que eram dos governos locais.

A dualidade de poder vai progredindo até organizar  a derrubada de um poder e a sua substituição. Para ter a política correta é preciso saber ver o seu lampejo, e dar-lhe forma organizada, é preciso entender a sua necessidade para incentivar a sua criação, essas são questões fundamentais para a revolução.

artigo Anterior

Em 11 perguntas: o que é a terceirização?

Próximo artigo

Infraero sob novo ataque golpista

Leia mais

Deixe uma resposta