A “unidade entre golpistas”: PSTU critica Lula mas quer Paulinho da Força nos atos

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No último dia 15 de março, mais de um milhão de pessoas saiu às ruas em todo o País em manifestações públicas contra o governo golpista e seus ataques contra os trabalhadores.

Na Avenida Paulista, uma multidão realizou uma gigantesca manifestação que teve seu ponto alto com a intervenção do ex-presidente Lula, principal liderança política do País e que, apesar de sofrer uma enorme perseguição por parte da imprensa e do Judiciário, tem um significativo apoio popular, expresso inclusive nas pesquisas sobre um futuro cenário eleitoral, contrariando as precipitadas previsões sobre o fim do “ciclo lulista”.

Com seria de se esperar, os partidos burgueses que deram o golpe de Estado, através do impeachment fraudulento, não ficaram logicamente satisfeitos com o resultado das manifestações do dia 15 e muito menos com o fato de Lula participar com destaque na Avenida Paulista. Por isso, a imprensa burguesa realizou um feroz ataque contra Lula, que supostamente estava “ fazendo palanque” e que sua participação seria uma “conduta populista” tipicamente lulista.

Por sua vez, os agrupamentos da esquerda pequeno burguesa, em especial o PSTU que apoiou a derrubada do governo Dilma, justificando que “as massas romperam com o PT”, pois “todos seriam iguais”, também ficaram profundamente insatisfeitos com a calorosa acolhida popular ao ex-presidente Lula.

Assim, no Editorial: “Lula não fala em nosso nome!” (site do PSTU, 18/3/17), o PSTU de maneira indignada tratou de atacar as frentes de luta que estavam organizando o ato, por terem permitido que Lula encerrasse o ato. Na sua crítica, os morenistas usaram os mesmos argumentos da imprensa golpista. “Dar a Lula o fechamento do ato não fortalece a luta. Tentar transformar uma ação unitária contra as reformas em palanque para a eleição de 2018 enfraquece e divide” (idem).

Além do mais, segundo o PSTU “Deve ser assegurada a participação de todos que queiram derrotar as reformas. Por isso, não deve ser Lula a fechar ato nenhum. Se falar, deve falar como qualquer outro. Deve ser muito claro que o ato não é seu, nem em sua defesa.” Neste trecho do editorial, o PSTU demonstra preocupação com o fato que o fechamento do ato por Lula poderia indicar uma “defesa” do ex-presidente. Defender Lula, acusado na Operação Lava Jato, seria um crime hediondo para os “puros” e “anti-corruptos” do PSTU (nunca é demais lembrar que Eduardo Almeida, principal dirigente do PSTU reivindicou que Moro colocasse Lula na cadeia).

É Interessante notar que os ataques a Lula pelos morenistas e em geral pela esquerda coxinha (PSOL, PCB e grupelhos) acontece no exato momento em que a burguesia recoloca a todo vapor a perseguição contra o ex-presidente, inclusive com o retorno da ameaça de prisão, com depoimento ao juiz Sergio Moro marcada em Curitiba para o dia 3 de maio.

Esta mobilização convocada pelas “centrais sindicais”, mas que efetivamente foi construída pela CUT, a partir de resolução aprovada no congresso da CNTE no inicio do ano, indica o descontentamento dos trabalhadores e total ausência de apoio popular para o governo golpista. Além disso, 15 de março também demonstrou que é uma falácia a suposta perda da representatividade da liderança de Lula junto às massas populares.

Por isso mesmo, é profundamente equivocada a narrativa ou melhor as alucinações interesseiras da esquerda pequena burguesa a respeito da liquidação da liderança de Lula. Iludindo-se com as pesquisas fajutas encomendadas sob medidas pela direita, que apresentavam que ninguém gostava do governo Dilma, e que todos eram pelo “fim da corrupção”. O panorama forjado pela direita golpista, acalantava os sonhos ou melhor os delírios dos coxinhas de esquerda, que acreditavam (alguns ainda têm essa secreta esperança) que a derrubada do PT e de Lula pela direita favoreceria de alguma maneira os “honestos” e “revolucionários” da esquerda anti-petista.

A reação desesperada do PSTU contra Lula e a recusa em defender Lula por outros setores da esquerda corresponde a esse cálculo mesquinho. O que aumenta o recalque do PSTU, que ao contrário da previsão, a liderança de Lula não somente não foi apagada no movimento popular, como está aumentando no pós-golpe. Isso devido a própria perseguição que o ex-presidente é vítima, bem como pela crise contínua do governo golpista, em especial por aplicar uma política de terra arrasada contra os direitos do povo.

É importante entender que os limites impostos pelo lulismo não serão superados pela política ultimatista e menos ainda apoiando a derrubada de governos de frente popular pela direita como fez o PSTU. Na verdade, o sectarismo do PSTU é uma política criminosa em dois sentidos aparentemente incongruentes: favorece a direita, quando apoia o golpe de Estado e ao mesmo tempo que reforça a autoridade das direções da esquerda conciliadora junto aos trabalhadores. É importante entender, que os limites impostos pelas direções tradicionais dos trabalhadores somente podem ser superados através de um processo democrático de construção de alternativa real no interior do movimento operário e popular.

Um ponto importante apresentado pelo PSTU precisa ser analisado: o papel da unidade na luta política e sindical. O que realmente consternou o PSTU foi que a presença do ex-presidente é uma tentativa de “transformar uma ação unitária contra as reformas em palanque para a eleição de 2018 enfraquece e divide”.

Interessante notar o completo cinismo do PSTU, que adotou uma política nitidamente divisionista no último período e neste momento apresenta como remédio político aparentemente o oposto, ou seja Unidade de Todos.

Durante o agravamento da crise política, quando a direita ia colocando em marcha as engrenagens do golpe, quando surge o movimento de resistência “Não vai ter Golpe!”, a política sectária do PSTU era a ‘formação do terceiro campo”, “nem um e nem outro” ou “Fora Dilma e toda a corja”. Assim, realizava-se um assédio permanente contra qualquer um que cogitasse “uma ação unitária” contra a direita golpista, sendo que não se podia fazer unidade alguma com governistas e com petistas. Negava-se inclusive a existência de uma política golpista por parte da direita, “ Não existe golpe” , uma vez que “ o fantasma do golpismo é uma invenção dos governistas”. Além disso, o “PT era igual à direita” e participar de atos com “ governistas” seria uma “traição”.

A máxima era “nenhuma ação unitária” com a CUT, a central “traidora” e “governista”. Essa política divisionista ajudou a fortalecer os golpistas.

Agora, quando os trabalhadores retomam a luta contra o golpe, através da mobilização contra a destruição da previdência pública, o PSTU mantém a mesma política de negar o golpe e de ataque permanente contra Lula.

Entretanto, adota-se um novo mantra para impedir que a luta contra o golpe se desenvolva. Curiosamente, para sufocar e estrangular a mobilização independente para derrotar os golpistas, adota-se uma palavra de ordem que aparentemente representa o inverso do período anterior. Dessa forma, é dito que falar de golpe é divisionismo. O importante é a “ação unitária” contra a reforma da Previdência. O PSTU e a esquerda pequeno burguesa, inclusive setores petistas, adotam a política de evitar relacionar os ataques dos golpistas como a liquidação da aposentadoria com o próprio golpe de Estado. Então passa-se a defender uma palavrinha maravilhosa totalmente anti sectária: “unidade, mas não qualquer unidade, mas uma unidade de todos contra a reforma da previdência”.

Assim, se a palavra de ordem anterior era “Fora todos”, que significava na prática a recusa de uma “ação unitária’ com o PT e a CUT contra o golpe, agora nós temos “todos unidos”, desde que não se lute contra o golpe, pois “divide”. “Os motivos do ato devem ser muito claros. Deve ser assegurada a participação de todos que queiram derrotar as reformas”. (site PSTU, idem).
Isso quer dizer que, para o PSTU, não deve existir espaço para “radicalismo”, pois agora até as centrais sindicais “governistas” por sinal golpistas, como a Força Sindical é não somente bem vinda, como é paparicada pelo PSTU.

Sim, todos podem participar, pode participar quem defende o “Fora, Temer”, como faz toda a esquerda pequeno burguesa ou apoiar o governo Temer como Paulinho da Força, o que não pode é apresentar políticas “divisionistas” como lutar contra o golpe.

Entretanto, não podemos nos deixar confundir pelo Zigue-Zague do PSTU, passando do ultrasectarismo do “fora, todos” para o ultra oportunismo de “unidade com Todos”. Muda-se o discurso, mas mantém-se a mesma política pró-golpe.

Para não deixar dúvida do verdadeiro sentido da “unidade total” preconizada pela esquerda pequeno burguesa, o texto do PSTU não somente critica o divisionismo, expresso no destaque dado a Lula pelos organizadores do ato, mas reivindica de maneira contundente o direito de fala para “todos”.
Essa atitude “democrática” para garantir a unidade e o direito de todos usarem a palavra, sem dúvida, é muito comovente, ainda mais conhecendo a tradicional truculência do PSTU no trato com seus adversários, mas tem um endereço certo. O que o PSTU advoga é o direito de fala para o antigo companheiro de Zé Maria nas jornadas golpistas, o arqui-pelego Paulinho da Força. No final dos contas, para o PSTU, até o Paulinho da Força pode falar, menos Lula.

“Numa manifestação unitária, todos os partidos que a apoiem devem ter o direito à palavra. Portanto, o PT decide quem quiser para falar em seu nome. Assim como a palavra deva ser assegurada ao Solidariedade de Paulinho da Força e outros que eventualmente estejam contra a reforma da Previdência e pela greve geral.”( site do PSTU, idem).

Observe que a crítica a Lula seria que ele queria ser mais que todos os outros. Para o PSTU, agora apóstolo recém convertido da unidade absoluta, todos são iguais, desde que assinem uma convocatória de um ato. Note bem, que ao mesmo tempo que o PSTU se nega a defender Lula, faz uma defesa “principista” do direito da fala de Paulinho da Força. A defesa “democrática” de Paulinho da Força não é apenas um devaneio oportunista do PSTU, mas revela o sentido da unidade de todos a qualquer preço.

Aqueles que defendem a unidade com os golpistas em nome da luta contra a reforma da Previdência não estão construindo uma unidade para lutar, mas pelo contrário, estão enfraquecendo a mobilização contra o golpe e contra a própria reforma da Previdência, na medida em que subordinam o movimento aos limites impostos pelos setores, que formalmente estão contra a reforma, mas no fundo são instrumentos do governo golpista para atacar os trabalhadores.

A política da esquerda pequeno burguesa sempre foi capituladora. Caracterizada pela busca permanente de pretextos para não enfrentar a direita. Desde do início da crise política, a CSP, a “central sindical” de mentirinha do PSTU, buscou de maneira obstinada evitar a unidade das forças populares contra os golpistas. Utilizando de um farto arsenal contra os “governistas” e o PT. Agora, atacam as mobilizações contra o golpe, por dentro, pregando a submissão aos pelegos da Força Sindical, braço sindical dos golpistas.

Devido à impopularidade da reforma da Previdência, a Força sindical apresenta críticas ao projeto original entregue no congresso nacional, mas advoga emendas e não a retirada, ou seja, um jogo de cena. Entretanto, na reforma trabalhista é que fica mais claro o significado da “unidade com todos” da esquerda pequeno burguesa, uma vez que a reforma trabalhista do governo Temer é subscrita por Paulinho da Força, ou seja, não é simplesmente a reforma de Temer, mas dos golpistas, inclusive da Força Sindical. Então como Paulinho da Força vai fazer a “ação unitária” contra a reforma trabalhista da própria Força Sindical?

Precisamos reconhecer que o texto do PSTU é sim um esforço pela unidade. Uma unidade entre os representantes das centrais sindicais e os partidos que apoiaram o golpe, para em nome da “unidade de todos”, evitar o desenvolvimento da luta contra o golpe. A propósito, apesar da boa vontade do PSTU com a Força Sindical, o amigo de Zé Maria não falou no ato, pois sabia que não teria a mesma receptividade de Lula, certamente seria hostilizado pelos trabalhadores por ter apoiado o golpe.

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