A pulverização dos sindicatos é um ataque a organização dos trabalhadores

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A imprensa golpista vem anunciando com um dos passos seguintes às “reformas” da Previdência e sindical, outro ataque aos trabalhadores e às suas organizações de luta.

Na coluna “Mercado Aberto”, da Folha de S. Paulo, desta terça, 22, a jornalista Maria Cristina Frias, anuncia que “se o projeto de lei sobre a terceirização for aprovado na Câmara, outra mudança na organização do trabalho poderá ser antecipada: a reforma sindical”.

O pretexto para promover uma nova e maior interferência do Estado e, particularmente, neste momento, do regime golpista sobre a organização dos trabalhadores é que com a aprovação da draconiana lei da terceirização que pretende impor  fim de quaisquer limites ao regime de terceirização, permitindo a terceirização também na atividade-fim das empresas, ocorrerá uma nova situação na qual trabalhadores de diferentes empresas prestarão serviços em um mesmo local, podendo haver entre eles trabalhadores representados por diferentes organizações sindicais.

Por exemplo: em um indústria metalúrgica, poderá haver operários vinculado ao sindicato da categoria local e outros “prestadores de serviços”, exercendo funções temporários naquela fábrica, mas vinculadas a uma empresa da base sindical de outra cidade; poderão haver ainda motoristas de outra empresa e de outro sindicato; ajudantes de outra empresa terceirizada e com trabalhadores vinculados a um quarto ou quinto sindicato e assim por diante.

Esta situação, pode dar lugar (e é um dos objetivos do PL 4302) a uma ampla pulverização dos sindicatos no interior da empresa, visando promover uma maior divisão entre os trabalhadores atuando em uma mesma empresa, criando facilidades para um aumento da exploração dos empregados; facilidades para que a empresa escolha contratar funcionários de uma terceirizada de uma “categoria” ou base sindical com vencimentos menores e mais facilidades de “negociação” com sindicalistas pelegos.

A situação por si só visa promover um enfraquecimento dos sindicatos e a pulverização da representação, para fragilizar as categorias mais fortes e com maior poder de negociação; mas os golpistas querem ainda mais.

Com alega a coluna da Folha, com a pulverização, “poderá haver preferência de profissionais por um representante”  que deve pretendem usar como pretexto para que se quebre a “unicidade sindical”, que estabelece o principio que em cada local de trabalho e em cada categoria haja um só sindicato que represente a categoria.

Os golpistas querem quebrar a relativa unicidade existente, para impor em seu lugar uma divisão que enfraqueça os sindicatos e a já débil capacidade de negociação, em um momento de avanço da crise econômica.

Segundo um empresário citado pela coluna, “haverá diferenças de direitos que cada profissional tem e poderá ocorrer migração de quem se sentir prejudicado”, afirma Marcello Della Monica, sócio do Demarest, com o cinismo de quem quer aparentar alguma preocupação com os “prejuízos” impostos ao trabalhadores, mas que vislumbra, de fato, as vantagens que poderão ter a empresa com a escolha que elas poderão fazer dos sindicatos que pretendem apoiar ou atacar. Recaindo a escolha é claro, sobre aqueles que facilitem as coisas para os patrões, garantindo-lhes maiores lucros e, por conseguinte, maiores prejuízos (exploração) dos trabalhadores.

A coluna, comemora, discretamente: “Não se sabe o que pode resultar [do projeto do Executivo]. As indicações são de que ele forçará uma mudança na organização sindical.”

É, com certeza, desastroso para os os trabalhadores e suas organizações de luta se não intervierem de forma decidida na situação para barrar estas e outras “reformas” do regime golpista. Para isto, além de intensificar a mobilização que se levantou no dia 15 de março, é preciso dirigi-la cada vez mais, no sentido da luta pela derrubada do regime golpista, pela anulação do impeachment, para cancelar todas as medidas golpistas que estão sendo impostas.

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