Blairo Maggi de olho no que é seu

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O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, declarou haver “falhas” na operação da Polícia Federal (PF) sobre a investigação das empresas de alimentos do ramo frigorífico. Para Maggi a investigação foi conduzida de maneira inadequada e faltaram informações técnicas do setor para que os agentes pudessem avaliar os dados coletados.

Para Maggi, “a narrativa [investigação da PF] nos leva até a criar fantasias. Não estou dizendo que não tenha sentido a investigação. Quando estamos falando ‘fiquem tranquilos’, é porque a gente conhece a maior parte do nosso sistema, 99% dos produtores de alimentos fazem as coisas certas”.

Sobre o papelão no frango ele argumentou que “está claro no áudio [das conversas dos investigados] que estão falando de embalagens, e não de misturar papelão na carne”. Ainda disse que seria “uma idiotice, uma insanidade” por parte das empresas brasileiras investirem milhões de dólares para se consolidarem no mercado para depois serem acusadas de misturar papelão.

O Ministro ainda disse que a carne de cabeça de porco, também relatada em áudio, é permitida pela legislação para ser usada em quantidade determinada. Outra coisa que destacou é que o ácido que divulgaram ser cancerígeno é na verdade ácido ascórbico, “é vitamina C e pode ser utilizado em processos”. O ministro golpista ainda criticou a PF porque o Ministério da Agricultura não foi consultado sobre as investigações.

Agora o Ministério da Agricultura e a PF passarão a atuar juntos nas investigações, segundo o Ministro. “O ministério estará com seus técnicos explicando tecnicamente para os agentes da Polícia Federal o que é certo e o que é errado, na visão dos nossos regulamentos”.

As críticas do golpista Blairo Maggi contra a PF sobre a Operação “Carne Fraca” chamam a atenção, pois não deveriam acontecer diante do quadro golpista, mas são uma reação natural do político já que ele é um dos principais homens do agronegócio brasileiro.

Maggi é  considerado o “pai da soja” no país sendo um dos homens e políticos mais rico do Brasil. Ele quer, com as críticas feitas à Polícia Federal, garantir seus interesses no setor, o que o opõe aos interesses dos grandes monopólios imperialistas que pretendem dominar o mercado brasileiro do setor. A questão é que se Maggi, com essas críticas, se tornar mais um alvo da PF e ser obrigado a sair do governo golpista, Temer – que não consegue governar sem o apoio de elementos como Maggi – vai ficar ainda mais enfraquecido. A oposição do ministro à ação da PF pode ser mais um elemento agravante da crise interna do governo golpista.

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