Unidade com os golpistas é um caminho para o fracasso

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A maioria das correntes da esquerda pequeno burguesa e da burocracia sindical procuraram apresentar, ao logo dos últimos anos, como uma questão fundamental, sem a qual não seria possível realizar qualquer mobilização mais ampla dos trabalhadores, a unidade das chamadas “centrais” sindicais, ai inclusas aquelas organizações com uma posição claramente patronal em torno de tudo que tenha importância para os trabalhadores, como é o caso da Força Sindical.

Esta política tem como um dos maiores defensores o PSTU, que criou sua “central” particular, a Conlutas; entidade sem representação que serve apenas à política de divisão dos trabalhadores e de apoio à política burguesa de criação de várias centrais, contra a existência e fortalecimento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), única organização resultante do ascenso das lutas operárias, na década de 80. Embora procurando se passar por uma oposição de esquerda à CUT o PSTU e sua “central” virou avalista e aliada da Força Sindical e demais “centrais” pelegas, amigas dos patrões.

Assim os críticos da CUT, bem com algumas alas mais reacionárias no interior da Central, passaram a defender a unidade, com a organização dos sindicalistas que apoiou Aécio nas eleições de 2014, fez campanha pelo golpe de Estado, defendeu Eduardo Cunha, apoio projetos antioperários com a terceirização, apoia o governo golpista de Michel Temer e suas “reformas”  contra os trabalhadores, nas quais diz querer introduzir apenas algumas mudanças, para tentar enfiar goela abaixo dos trabalhadores o maior ataque de todos os tempos contra suas condições de vida e de trabalho.

No mundo imaginário das reuniões burocráticas entre dirigentes sindicais e da esquerda pequeno burguesa a participação desses representantes das “centrais” tem grande valor, a tal ponto que uns poucos grupos da esquerda, totalmente fora da realidade, com o próprio PSTU e alguns dos seus satélites, como o grupo universitário Movimento Negação da Negação, verdadeiros amantes da Força Sindical, até anunciaram que iriam Lula, sob vaias, da Avenida Paulista.

Esta “unidade”  teve aparante importância quando se tratava de realizar, nos últimos anos, “dias nacionais de luta”, sem luta alguma; marcados por atos artificiais, nos quais as “centrais” patronais, como a Força Sindical, levavam às ruas algumas centenas de “militantes”, contratados,  com seus jalecos e bandeiras para serem fotografados, filmados e exibidos pela imprensa burguesa, dando a impressão de que esta organização tem alguma força real junto aos trabalhadores.

Com o advento de uma etapa de lutas reais, na qual os trabalhadores e suas organizações precisavam, e precisam, se enfrentar com o golpe de estado e com a ofensiva do grande capital internacional e nacional contra os trabalhadores, a Força e demais entidades artificiais criadas nos últimos anos, incluí-se nesse grupo o PSTU, passaram-se, de uma maneira ou de outra, para o lado do imperialismo, defendendo o golpe de Estado, a derrubada do governo eleito, tendo eles uma parcela da culpa pelos ataques que sofre a classe operária hoje.

Nas manifestações do último dia 15, ficou evidente que a “unidade” com estes setores não acrescenta em nada para a luta dos trabalhadores. Nessa soma, como na matemática quando se adiciona um número positivo a outro negativo, o resultado final é sempre inferior à primeira parcela.

Foi a CUT e as demais organizações de luta contra o golpe, que levaram às ruas centenas de milhares de pessoas, que realizaram a campanha, mesmo que pequena, contra as reformas do governo, que comandaram centenas de milhares em sua mobilização contra o golpe, realizaram paralisações.

Em nome da chamada unidade, as centrais patronais e pelegas querem que a CUT e o movimento inteiro defendam políticas que não são “consenso”. Como se trata de consenso com golpistas, não querem. naturalmente, que o movimento lute contra o golpe. Não querem que o movimento atinja sua necessidade principal, que é derrotar o golpe. É um consenso com entidades que em última instância querem o fracasso do movimento.

Os pelegos, inimigos dos trabalhadores e da sua luta contra o golpe, em nada a ajudam na mobilização, semeiam confusão e divisão e atuam abertamente em favor dos patrões contra a verdadeira unidade dos explorados, a unidade se dá quando a classe está unificada sob uma mesma política, o papel da vanguarda consiste em garantir que essa seja a política correta.

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