“Legítima e Necessária” : Comandante da PM defende massacre do Carandiru

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Ex-comandante da Tropa de Choque e da ROTA, que declarou que a atuação da PM no massacre do Carandiru “foi legítima e necessária”, toma posse como novo Comandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Alegando estar insatisfeito com a sequência do crescimento dos índices de roubos, o governador Geraldo Alckmin resolveu antecipar a substituição do comandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel Ricardo Gambaroni, que estava prevista para o próximo mês de maio, juntamente com sua aposentadoria (Folha, 22/02).

Para seu lugar foi escolhido e empossado na última sexta-feira o coronel Nivaldo Restivo, ex-comandante da ROTA e da Tropa de Choque, os dois setores mais violentos nos ataques e repressão aos movimentos sociais e à população pobre.

Em sua primeira entrevista à frente do cargo, o coronel Nivaldo Restivo declarou que foi “legítima e necessária” a ação policial que culminou no massacre do Carandiru. Ocorrida em 1992, a rebelião na agora extinta casa de detenção da Zona Norte da capital terminou com pelo menos 111 presos mortos após a entrada da PM no complexo.

Restivo está entre os acusados pelo Ministério Público por envolvimento no massacre. À época, ele era tenente do 2º batalhão da Tropa de Choque e, segundo a denúncia do órgão, não impediu que policiais sob seu comando praticassem atos de violência contra detentos sobreviventes.

Após 25 anos de sua ocorrência, defender a atuação da polícia militar numa ocorrência que foi mundialmente reconhecida como um massacre, uma vez que foi realizado por forças amplamente armadas contra pessoas presas e desarmadas, sendo um indicativo de como provavelmente deverá atuar em seu novo cargo.

A nomeação de um Comandante com esse perfil é uma demonstração de como os grandes capitalistas, a direita golpista e o governo Alckmin encaram o enfrentamento à enorme crise social que eles mesmos criaram: repressão à população pobre, que colocada no desemprego e sem perspectivas, muitas vezes acaba por praticar furtos como forma de tentar sobreviver com suas famílias.

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