Feita a vontade dos golpistas: aeroportos entregues a empresas estrangeiras

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O golpe avança sobre o ramo aeroportuário, com a concessão integral de quatro grandes aeroportos brasileiros ao grande capital estrangeiro por até 35 anos

 

Foram leiloados na última quinta (16) os terminais de Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) por uma arrecadação de R$ 3,72 bilhões em todo o período. Para que se tenha uma dimensão dos lucros destas empresas neste longo período de concessão, basta mencionar que somente em 2017 a receita prevista nos quatro aeroportos é de R$ 816 milhões.

Foi o primeiro leilão em que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) prescinde de qualquer participação da Infraero na composição societária dos consórcios concessionários – 49% nos casos anteriores.

Com vistas à Copa do Mundo, seis aeroportos brasileiros já haviam sido parcialmente privatizados anteriormente: Galeão (RJ), Viracopos (SP), Guarulhos (SP), Juscelino Kubitschek (DF), São Gonçalo do Amarante (RN) e Confins (MG). A maioria apresentou problemas de gestão, inconclusão de obras (caso de Confins), ou calotes a fornecedores e ao governo federal.

A entrega ao capital estrangeiro no quarto leilão de privatização foi total. Com a economia brasileira combalida pela política recessiva golpista, e os grandes grupos nacionais atacados pelas operações entreguistas da Polícia Federal, somente três grupos europeus participaram do certame: Fraport (Alemanha), Zürich (Suíça) e Vinci (França). A empresa Suíça é uma das responsáveis pelo fiasco da privatização do aeroporto de Confins. Anteriormente, as privatizações contavam com a presença de construtoras brasileiras, como Engevix e Odebrecht, atacadas pela operação Lava-Jato. A baixa concorrência manteve os valores de concessão relativamente próximos ao piso estabelecido pelo governo, de R$ 3,014 bilhões.

Aeroporto Empresa Outorga Período* Receita em 2017
Florianópolis Zürich R$ 1 bi 30 anos R$ 106 mi
Fortaleza Fraport R$ 1,4 bi 30 anos R$ 175 mi
Porto Alegre Fraport R$ 1,9 bi 25 anos R$ 265 mi
Salvador Vinci R$ 2,4 bi 30 anos R$ 270 mi

*. Todas as outorgas são prorrogáveis por mais 5 anos.

O processo, primeiro após o impeachment é sinal inequívoco de aprofundamento do golpe: intensificação dos processos de privatização, perda de capacidade de investimento do estado e entrega do patrimônio nacional ao capital estrangeiro.

O arrasamento do país ameaça decolar de vez, caso não seja abortado pela classe trabalhadora, por meio de sua mobilização contra o golpe, nas ruas.

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