“Cuidado com o que deseja”: derrubaram o PT e agora estão pagando o pato

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A burguesia se unificou quase que completamente para dar o golpe no governo do PT. Atraída pela propaganda dos grandes capitalistas internacionais, a burguesia nacional foi pressionada ou simplesmente foi convencida de que derrubar Dilma Rousseff e destruir o PT era um bom negócio.

Meses depois do impeachment, algumas coisas importantes começam a se revelar.

Setores da indústria nacional já questionam os rumos da política econômica dos golpistas. Aparecem com certa frequência nos grandes jornais pedidos para que o governo de Michel Temer retome a política de crescimento que grosso modo era a levada pelos governos petistas. Um dos porta-vozes desse clamor é ninguém menos que Benjamin Steinbruch, vice-presidente da FIESP e dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), privatizada por FHC.

A burguesia nacional, particularmente a ligada a setores produtivos, está sentindo os efeitos da política recessiva dos golpistas que tem como únicos beneficiados os banqueiros e especuladores internacionais.

Mas não é só na política econômica que a burguesia nacional começa a sentir os efeitos do golpe. O desenvolvimento da operação golpista da Lava Jato está mostrando que a “luta contra a corrupção” não é pretexto apenas para atacar inimigos políticos da direita pró-imperialista. Ficou claro que o golpe vem para devastar a economia nacional, promover um boicote sem precedentes à indústria brasileira.

Os golpistas já avançaram sobre a Petrobrás e o petróleo brasileiro, já destruíram a indústria de engenharia naval e estão devastando as empreiteiras que com os governos petistas conseguiram adquirir uma enorme influência sobre os Países da América Latina. O imperialismo em crise não permite nem um milímetro sequer dose concorrência e usam o Judiciário para acabar com os concorrentes nacionais. O resultado da perseguição à Odebrecht e outras empreiteiras já é possível notar: o mercado está aberto para as empreiteiras estrangeiras. Tentam enganar os brasileiros, pregando que as empreiteiras nacionais são as únicas e mais corruptas do mundo, enquanto as estrangeiras seriam as mais honestas do mundo. O caso da propina do metrô paulista do PSDB para a francesa Alstom não nos deixa mentir.

Agora, chegou a vez de avançar sobre a indústria nacional de alimentos. Empresas como a JBS/Friboi e a BRF estão sendo alvo de uma intensa propaganda que chega a ser ridícula. A campanha contra essas empresas nos remete aos velhos métodos de sabotagem imperialista contra empreendimentos nacionais que são contados como se fizessem parte de uma história remota. Não, não há nada de remoto, isso está acontecendo agora.

De repente, como num passe de mágica, os jornais golpistas, junto com a operação norte-americana, Lava Jato, fizeram os brasileiros descobrirem que estão comprando carne podre, carne envenenada, carne com papelão. O brasileiro é tão cego que tem ido ao mercado há décadas e nunca havia notado estar comendo carne podre.

Pois bem, a burguesia nacional, que se uniu com o imperialismo para dar o golpe, está agora sendo cuidadosamente destruída pelo próprio golpe. E o que ela faz para reagir? Quer esmagar o trabalhador brasileiro por que não tem coragem de enfrentar o imperialismo, nem minimamente.

Para compensar o que o imperialismo está fazendo com a economia nacional, a burguesia brasileira quer aprovar a destruição da CLT, quer aprovar a terceirização, quer atacar as aposentadorias. Como não tem coragem de enfrentar o imperialismo, joga sobre as costas do trabalhador o seu prejuízo. Em suma, quer deixar o povo na miséria. O mesmo Steinbruch que chora a política econômica resultante do golpe, defende exterminar qualquer direito trabalhista, é dele a célebre frase dizendo que o trabalhador deveria ter apenas 15 minutos de almoço e que poderia operar a máquina com uma mão enquanto come com a outra.

Odebrecht se curvou diante do judiciário, o barão da CSN ronda as colunas da Folha de S. Paulo pedindo uma política econômica de incentivo ao consumo. Alegria de pobre dura pouco, dizem, a burguesia nacional nem alegria teve com esse golpe, querem terceirizar até o pato que eles estão pagando para nós, enquanto lutamos contra o golpe, podemos ter uma curta alegria em saber que parte dos responsáveis também está sofrendo.

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