O Estadão como arma

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Os sofistas que cometem os editoriais do Estado de S. Paulo, o Estadão, escrevem atrocidades todos os dias, portanto é difícil dizer quando eles se superaram. Até para eles mesmos é improvável superar tanto cinismo, destilado diariamente contra os trabalhadores e contra o Brasil. De modo que não sei se esse boletim golpista se superou com o editorial de hoje (18) publicado sob o título A mentira como arma. Seja como for, trata-se de um exemplo contundente do papel miserável que a imprensa golpista cumpre em sua conspiração permanente contra o povo.

O Estadão apoiou o golpe militar de 1964 e apoia o golpe de hoje. Com tiragem de 121 mil exemplares por dia, esse veículo da propaganda de direita a serviço do imperialismo está enredado agora em uma empreitada embaraçosa: apoiar o governo golpista e ao mesmo tempo pressioná-lo, com ameaças, para que imponha contra todos nós a ruína da Previdência e a demolição da CLT.

O equilíbrio é delicado. Na página três do caderno principal de sua edição impressa de ontem, a infame página dos editoriais, o jornal tenta vender otimismo com a notícia de que em fevereiro foram gerados 35,6 mil empregos e que o STF tomou uma decisão relativa ao ICMS que pode obrigar a União a devolver R$ 250 bilhões aos empresários. Nada garante que o emprego continuará crescendo, como o próprio Estadão admite, e os R$ 250 bilhões que o Estado será obrigado a devolver às empresas serão um desastre para as contas públicas. De novo vai sobrar para os trabalhadores, como sempre.

O embaraçoso equilíbrio entre apoiar e ameaçar o governo golpista é perturbado pela luta dos trabalhadores. Na quarta-feira (15), a classe operária começou a esboçar sua reação contra a política de terra arrasada do golpe. Mostrou a impopularidade do golpe e do programa político dos golpistas. Por isso nesse editorial que eu mencionei acima, o Estadão perdeu a linha.

Os militantes do PT são chamados de “tigrada” e “milícias”. A denúncia de que as pessoas vão morrer sem se aposentar é chamada pelo Estadão de “mentira”. A mentira aqui é do próprio Estadão. Morrer sem se aposentar é exatamente o que vai acontecer com dezenas de milhões de trabalhadores. A “mentira como arma” é o próprio Estadão, que busca impor sua propaganda na base do volume de mentiras que empurra contra a população todos os dias com seus jornais e sítios eletrônicos. O Estadão é uma arma da burguesia imperialista contra quem trabalha, parte de uma imprensa inimiga do Brasil.

As “milícias petistas”, segundo o Estadão, atuam nas redes sociais, no meio artístico e nas universidades. O problema aqui é que o Estadão não controla as redes sociais, a classe artística e as universidades. O tom virulento do Estadão é um sinal de desespero diante da impopularidade do golpe. E não devemos nos enganar sobre o que eles querem dizer com “petistas”. Petista para a burguesia são todos aqueles que são contra o programa do imperialismo para o Brasil, um programa de ataques brutais aos trabalhadores. O Estadão defende esses ataques, em proveito de monopólios econômicos estrangeiros.

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