É com o povo na rua e com a greve geral que se derrota o golpe

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As centenas de milhares de pessoas que saíram às ruas de todo os Estados, no último dia 15 e as importantes mobilizações de trabalhadores nesta data, como a dos trabalhadores da Educação (alguns Estados ainda prosseguem em greve e outros marcaram mobilizações para as próximas semanas), dos rodoviários, de condutores etc. sacudiram o País e evidenciaram que estamos entrando num nova etapa política.

Vemos uma retomada da mobilização que sacudiu o País contra o golpe, entre março de 2015 até a derrubada da presidenta Dilma, em 2016.  Esta “virada”, na qual uma parcela crescente dos explorados e de suas organizações se vêm impelidos a lutar e reagir à ofensiva do governo direitista, se dá em bases superiores, porque houve um acúmulo importante entre amplas parcelas do ativismo e dos trabalhadores, decorrentes da experiência recente.

Refletindo e embalados por esta tendência a um crescimento da luta contra o golpe e contra a ofensiva dos golpistas contra os trabalhadores dois dos mais importantes dirigentes das principais organizações do movimento operário fizeram importantes pronunciamentos no ato da Avenida Paulista, no último dia 15, diante de mais de 200 mil pessoas.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, repeliu a conclusão da esquerda pequeno-burguesa cega e capituladora que ainda quer negar o golpe de Estado e que prega uma “virada de página”, ou seja, que  golpe seja esquecido e que não deve haver luta contra ele. “Está ficando cada vez mais claro que o golpe dado nesse País não foi apenas contra Dilma, não foi apenas contra os partidos de esquerda… foi um golpe para colocar um cidadão sem nenhuma legitimidade na presidência, e para acabar com as conquistas da classe trabalhadora, conquistadas ao longo de anos e anos,  pela reforma trabalhista e a reforma da Previdência social”, disse.

Ao contrário dos que pregam um entendimento e a negociação com os golpistas, Lula apontou, acertadamente, que “somente com o povo da na rua, somente o povo utilizando seus instrumentos de luta, e vocês sabem quais são” será possível mudar esta situação.

O discurso do ex-presidente foi, de certa forma, complementado, pelo do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, que destacou que a enorme adesão  às mobilizações deixou claro “que o povo é contra a Reforma da Previdência e trabalhista”. Ele rejeitou qualquer negociação com o governo golpista e apontou como caminho a greve geral. “Não vamos negociar migalhas com o Temer, não vamos negociar migalhas com golpista. O Temer tem que retirar do Congresso a Reforma da Previdência. Se ele não retirar, nós vamos organizar a maior greve geral que este país já viu”, afirmou.

Os atos, como reconhecem os dois dirigentes, desautorizaram a política de setores reacionários do movimento sindical e da esquerda que defendem um entendimento com o governo ou no Congresso Nacional para fazer alterações na “reforma” que, como afirmou Lula, em seu discurso, quer “acabar com as aposentadorias”. Se opõem, na prática, à política de esperar por 2018, pelas eleições (que sabe lá se ocorrerão, pois a vitória dos golpistas em sua ofensiva tende a levar o País a uma ditadura cada vez maior contra todos os explorados), apontam que a paciência dos trabalhadores está se esgotando (diante do agravamento da situação) e estes querem uma solução imediata, o que só pode ser conquistada por meio da derrota do golpe.

O 15 de março pode significar o começo de uma virada na situação, na qual o movimento operário passe da profunda indignação contra o golpe e seus ataques a uma reação geral.

Para efetivar esta mudança e faze-la evoluir na direção de uma vitória popular é necessário intensificar o trabalho de agitação e propaganda contra o golpe e a ofensiva dos golpistas contra os explorados e a economia nacional. Organizar o enfrentamento com os golpistas em pontos centrais de sua política, além de novas manifestações nacionais, com base em uma agitação ainda maior nos locais de trabalho, mobilizar contra os planos da direta de prender Lula, organizando um ato gigantesco em Curitiba no começo de maio, quando Lula está intimado a depor diante do juiz golpista, Sérgio Moro.

Estas e outras iniciativas, como o fortalecimento das mobilizações que tendem a crescer diante dos ataques dos golpistas, devem buscar fortalecer a perspectiva da greve geral; uma vez que o golpe e sua ofensiva só podem ser derrotados nas ruas pela classe operária e demais explorados.

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