Quem defenderá as mulheres trabalhadoras?

Compartilhar:

O jornal burguês O Estado de S. Paulo, publicou mais uma de suas horripilantes colunas de opinião. Desta vez dando voz a Márcia de Holanda Montenegro, a procuradora de justiça, mulher que não defende o direito à vida das mulheres. O texto pergunta o seguinte: quem defenderá o nascituro (feto), das mulheres assassinas “que apenas o abriga para que se desenvolva por um dom da natureza”, e que são também ávidas por realizarem abortos como método contraceptivos se legalizado?

Antes de responder a pergunta, vale citar que Montenegro, com plena convicção, afirma que as mulheres já estão em pé de igualdade com os homens. E que o suposto “sexo frágil”, no Brasil, não esmoreceu até que os reclamos fossem “captados pelo legislador constituinte”. A procuradora cita a “imensa” participação das mulheres como chefes de família, as leis que punem o assédio sexual, a Lei Maria da Penha, e a qualificação como crime hediondo do feminicídio.

Depois de tantos avanços para a emancipação e proteção da mulher, como as próprias ainda ousam exigir o direito ao aborto? Diga-se de passagem direito fundamental, direito de decidir, direito ao controle do próprio corpo.

Montenegro afirma que “Somente o sexo responsável pode salvaguardar a integridade física e psíquica da mulher ao evitar a gravidez indesejada”. Essa é uma concepção moralista do sexo. E é evidente que o melhor é evitar a gravidez indesejada, mas essa não é uma possibilidade para todas as mulheres. Sem contar que existe a gravidez resultado de estupro.

Ela fala como se o aborto fosse a banalização da vida. Mas e a vida das mulheres que morrem em consequência do aborto clandestino? Por causa da ilegalidade e da possibilidade de ser feito em condições seguras do ponto de vista médico são milhares os casos de mortes de mulheres, casos de infecção, perfuração, internações etc. O aborto clandestino é feito no fundo do quintal das casas de mulheres negras e pobres. Sendo a quarta causa de mortalidade materna no país. A legalização do aborto é exatamente o contrário do que afirma a procuradora, sua criminalização transforma a gravidez em uma imposição, o que viola diversos direitos das mulheres.

Nenhuma mulher está ávida para realizar um aborto, pelo contrário, nenhuma mulher deseja ou sonha realizar um aborto. Montenegro pergunta quem vai defender o feto, mas e vida da mulher, quem está disposto a defender?

Proibir o aborto é punir quem não tem dinheiro. A mulher que pode pagar pelo aborto, o realiza em clínicas com médicos qualificados e, claro, bem remunerados.

Sem contar que a mulher rica pode se proteger também da perseguição policial. A moradora da favela é que vai acabar presa e engrossando as estatísticas de morte. A lei brasileira, portanto, é injusta, já que quem não tem recursos recorre a “curandeiros” sem qualquer formação médica que fazem abortos sem higiene ou instalações adequadas.

Garantir direitos na maternidade, oferecer creches, pleno atendimento à saúde e a legalização do aborto, continuam sendo a melhor maneira de diminuir a prática; e não negligenciar a saúde pública e entupir as cadeias com as mulheres da classe trabalhadora.

artigo Anterior

COTV: Dallagnol é parte integrante do regime político do Brasil

Próximo artigo

Dilma contra o golpe

Leia mais

Deixe uma resposta