Merkel em Washington: pressão sobre Trump

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Nesta sexta-feira (17), a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, visitou o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro marca o embate entre os principais setores do imperialismo, inclusive norte-americano, representados por Merkel, e um setor mais fraco do imperialismo norte-americano, representado por Trump. O mercado financeiro, os grandes bancos e investidores internacionais, os grandes monopólios econômicos mundiais, perderam o controle das eleições nos EUA, principal país imperialista. Com a vitória de Trump, apoiado por um setor mais fraco da burguesia dos EUA, a política do imperialismo entrou em crise. Trump governa sob constante pressão para se adaptar à política anterior, ou acabar derrubado.

O papel de Merkel no encontro foi exercer mais pressão sobre o presidente norte-americano. Um dia ante da visita, os EUA voltaram a condenar a anexação da Crimeia pela Rússia, uma adaptação à política que o imperialismo tinha adotado durante o governo de Barack Obama, que Hillary Clinton pretendia aprofundar. Na entrevista coletiva posterior ao encontro, Trump foi ambíguo, dizendo que a Ucrânia precisa de uma “solução pacífica”.

Em relação à OTAN, Trump afirmou seu total apoio e disse reconhecer a importância da organização, mas voltou a dizer que os países membros devem “pagar a sua parte”. “Reiterei à chanceler Merkel o meu forte apoio à NATO, bem como a necessidade dos nossos aliados na NATO pagarem a sua parte justa para a defesa”. Sobre os imigrantes, Trump discordou de Merkel nos seguintes termos: imigração “não é um direito, é um privilégio”.

Enquanto Trump governar, a crise política no regime norte-americano continuará. E sua derrubada, por outro lado, pode aprofundar ainda mais o problema. Para os setores mais fortes da burguesia dos EUA, a solução consiste em derrubá-lo para eleger outro governo ligado aos bancos e ao mercado financeiro, ou pelo menos forçar Trump a uma adaptação ao regime. Ao mesmo tempo, a crise política que foi aberta abre a possibilidade de uma intervenção independente por parte da classe operária, por meio de um partido próprio, que arraste a base de trabalhadores ligados ao Partido Democrático e aos sindicatos próximos desse partido.

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