Covardes! Golpistas não vão mais a eventos culturais

Compartilhar:
Protesto na posse do golpista Mendonça Filho, então ministro da Educação e Cultura.

A resistência ao golpe no meio artístico é tanta que os golpistas oficiais estão fugindo dos eventos culturais para não sofrerem protestos. Nos últimos meses ocorreram inúmeros protestos artísticos contra o golpe e figuras de ponta da política golpista foram incessantemente avacalhadas, desmoralizadas, humilhadas, ridicularizadas, etc.

Ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, vaiado no Festival de Gramado.

O golpista Michel Temer é o alvo favorito, mas outros como o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero e o atual o também golpista, Roberto Freire foram alvos de protestos. Houve manifestações artísticas internacionais e nacionais em festivais de cinema, ocupações de prédios, protestos de rua, protestos no carnaval etc.

Um dos últimos foi em 17 de fevereiro quando o escritor Raduan Nassar recebeu o prêmio Camões de literatura e após seu discurso diretamente contra o golpe de estado e golpistas como Temer e Alexandre de Morais, ex-Ministro da Segurança, Roberto Freire foi vaiado enquanto tentava se defender.

Roberto Freire “perde a boa” enquanto é vaiado em evento para homenagear Raduan Nassar.

Nesta semana, durante a abertura da 4a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) na última terça-feira, dia 14, a presença dos golpistas oficiais foi praticamente zero. O evento foi recheado de protestos contra o golpe. Em meio ao ataque dos golpistas à cultura em todos os âmbitos.  

Na falta dos representantes oficiais os substitutos foram o alvo dos protestos que atingiam golpistas de todas as esferas, municipal, estadual e federal.

A mostra de abertura foi no Teatro Municipal de São Paulo e à medida que representantes dos cargos públicos relacionados com a cultura do município, do estado e do governo federal se apresentaram para falar eram vaiados aos montes pelos presentes.

Os principais “alvos”, os golpistas, João Dória, Geraldo Alckmin e Michel Temer não compareceram, mas os prepostos diretos, o secretário Municipal de Cultura, o secretário Estadual de Cultura e o Ministro da Cultura também não se dignaram a prestigiar o evento.

Faixas de protesto contra os cortes de Dória em São Paulo.

A rejeição ao golpe por parte dos artistas é tanta que estes principais representantes públicos da cultura não foram à abertura do MITsp. O secretário de cultura de São Paulo, André Sturm em seu lugar mandou a chefe de gabinete da pasta, Giovanna de Moura Rocha Lima, assim que foi se pronunciar foi imediatamente interrompida aos gritos de “descongela”. Para os que não sabem, o ilustríssimo prefeito João “Escória” determinou o congelamento da verba anual de cultura em 43,6% para este ano. Em sua tentativa de discurso Giovanna de Moura ainda foi interrompida com “Fora Dória” e “Fora Sturm”. 

O secretário de Cultura de Alckmin, José Roberto Sadek também fugiu do evento e em seu lugar mandou o assessor de gabinete, Rodrigo Mathias que tentou se impor sobre a plateia dizendo que o MITsp tinha sido financiado pela Sabesp e Cesp, ou seja, pelo estado de São Paulo, querendo dizer que o governo era o “dono da festa” numa espécie de “fiquem quietos que eu to pagando”. A plateia foi pra cima e gritou “Fora Alckmin”.

E para completar a lista dos fujões do evento, o Ministro golpista da Cultura, Roberto Freire,  também não compareceu, para evitar outro vexame como o ocorrido no evento em homenagem ao escritor Raduan Nassar.

Haifa Madi, a representante de Roberto Freire, chamada de golpista pela plateia.

O “saco de pancadas” mandado por ele foi Haifa Madi, representante do Ministério da Cultura, que foi prontamente vaiada e recebeu sonoros “Fora Temer golpista”! Em uma tentativa frustada de responder à platéia dizendo “gente, isso é democracia”, Haifa foi chamada de “golpista” também. 

Para piorar o quadro, para os golpistas, a coordenadora da Funarte em São Paulo, Maria Ester Moreira, em um arrombo de estupidez resolveu socorrer Haifa dizendo à plateia que era necessário dialogar com os novos representantes da cultura em São Paulo. Foi um desastre, pois a plateia não se intimidou e gritou ainda mais alto “golpista”, “Fora Temer”.

Roberto Freire ainda foi chamado, pela platéia, de ministro covarde, por não aparecer no evento. Alguém gritou, “Freire é um covarde, mandou uma mulher no seu lugar.” A mestre de cerimônias, a atriz Georgette Fadel, não perdeu a deixa e no espírito do protesto respondeu à plateia a respeito da covardia de Freire, “Com certeza!”. E ainda emendou: “Vamos com Bacco, Xangô, Tupã, sem Temer e sem temer essa realidade.” A plateia foi ao delírio. Os coxinhas presentes, poucos, estavam visivelmente incomodados, mas sem nenhum ânimo de reagir.

Os protestos dos artistas são legítimos e significativos, pois são incontáveis as medidas tomadas pelos golpistas contra a cultura no Brasil. São cortes de verbas em diversas áreas, como a de Dória em São Paulo, fechamento de teatros, privatização de bibliotecas, projetos culturais para a população, censura e perseguição política a artistas e obras, como o caso do filme “Aquarius” entre outros.

Com essa profusão de protestos nestes eventos os assessores dos golpistas tem cortado da agenda qualquer atividade cultural, pois sabem que nestes eventos, artistas e público são contra o golpe e as vaias serão inevitáveis.

artigo Anterior

O significado de liberdade de expressão: falar o que os outros não querem ouvir

Próximo artigo

APEOESP: Diretoria se une contra greve e quebra movimento nacional

Leia mais

Deixe uma resposta