APEOESP: Diretoria se une contra greve e quebra movimento nacional

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No dia 15 de março ocorreu a assembleia do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), com a presença de dezenas de milhares de professores (40 mil, segundo a diretoria), a maior desde a combativa greve da categoria de 92 dias, em 2015, realizada em meio a uma paralisação que atingiu a grande maioria das escolas estaduais (cerca de 80%, de acordo cm o Sindicato).

A grande mobilização dos professores paulistas, se somava à greve dos trabalhadores da Educação da rede municipal da Capital, ocorria em meio a uma grande mobilização dos transportes na maior cidade e do País e quando mais de 200 mil pessoas saíram às ruas ocupando boa parte da Avenida Paulista em um grande e combativo ato.

Toda esta mobilização se deu em meio a um enorme crescimento da revolta da categoria e de todos os trabalhadores contra o governo golpista e seus ataques ao povo brasileiro, destacadamente a “reforma” da previdência, que tem na categoria dos professoras uma de suas maiores vítimas. Os professores paulistas estão no seu terceiro ano consecutivo sem reajustes nos salários, milhares ficaram desempregados com o fechamento de salas de aulas e nas escolas falta de tudo, até papel higiênico.

Precisava de mais motivação para decretar a greve? Não. Mais havia. Muitos. Um deles era, certamente, muito importante.  O sindicato da categoria, a APEOESP, foi um dos principais impulsionadores da proposta de greve nacional da Educação, aprovada por unanimidade, no Congresso Nacional dos Trabalhadores da Educação, em janeiro passado, com mais de 2.200 delegados, dos quais quase 20% eram da APEOESP.

Estava decidida uma greve nacional. Outros estados pararam (alguns continuam em greve) e esperavam que a APEOESP, maior sindicato do País, uma “locomotiva” dos educadores se colocasse à frente da necessária mobilização nacional da Educação e de todos os trabalhadores.

Mais não foi isso que aconteceu. A diretoria do Sindicato, integrada pela Articulação-PT, PCdob, PSOL e PSTU atuou unificadamente (com a dissidência pública apenas de dois diretores do PSOL, de um total de 120 diretores) na defesa da suspensão da greve e da sua retomada somente em 28 de março, marcando nova assembleia apenas para o dia 31/3, para avaliar o movimento.

A decisão foi contestada por Educadores em Luta-PCO, que defendeu a continuidade da greve e unidade da categoria em nível nacional e por cerca de 30% da assembleia que votou pela proposta de manter a greve também defendida por outros setores de posição. Ficou evidente que o recuo da diretoria “puxou o freio”, deixando a maioria da assembléia em dúvida (houve muitas abstenções) sobre a possibilidade de realizar uma greve sem o apoio da direção, nesse momento.

A decisão representou um passo atras dos setores que haviam impulsionado a decisão de entrar em greve, que – visivelmente – cederam à pressão de alas mais direitistas da diretoria que – como em outras mobilizações recentes da categoria defenderam  “recuo tático”.

É evidente que o recuo esteve também condicionado pela disputa interna entre as facções dirigentes em torno das eleições para a diretoria do Sindicato, previstas para este semestre, e pela política reacionária de setores da esquerda pequeno burguesa, como o PSTU-Conlutas e o PSOL, que se disfarçam de oposição mas estão na diretoria da APEOESP há 15 anos. Estes setores – que dirigem importante subsedes da Capital e de grandes centros do Interior e da Grande São Paulo, atuaram contra greve, como parte de sua política de se opor a qualquer mobilização real contra o golpe, que para eles não existiu e chegaram a buscar fracionar a mobilização com atos regionais, no próprio dia da assembleia geral.

Esse esquerda não queria de fato a greve, com ficou claro pelo fato de não a defenderem no segundo maior sindicato da categoria em nível nacional, o dos profissionais da Educação do Rio de Janeiro, dirigido pelo PSTU e PSOL que se colocou contra a greve, convocando apenas uma paralisação de 24 horas, em “solidariedade à greve nacional da Educação”, como se eles não integrasse a categoria.

A diretoria apontou como caminho, até  dia 28, a política de pressionar os deputados nas suas cidades, evidenciando uma ilusão de que este tipo de mobilização possa convencer esses verdadeiros carrascos do povo, que dominam o Congresso Nacional, a mudarem de posição na questão da “reforma da Previdência”.

Para superar esta política de divisão e realizar uma grande mobilização do professorado paulista é preciso enfrentar e superar a política reacionária destes setores e organizar a greve a partir das escolas, formar comandos regionais e comitês de mobilização juntamente com pais e alunos, que precisam ser convocados para participarem da mobilização contra  golpe, contra as “reformas” do governo que busca promover a destruição do ensino público e  atacar todas as conquistas dos trabalhadores das últimas décadas.

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