Podem os sindicatos e movimentos substituir os partidos?

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Nas ruas, no último período, ressurgiu os antigos preconceitos anarquistas de antipartidarismo, de horizontalidade, de que os movimentos seriam tudo. A maior parte da esquerda se colocou nessa política, inclusive preferindo se chamar de movimento e não de partido.

Rascunho automático 67

O debate sobre a organização dá aos revolucionários a oportunidade de esclarecer confusões do papel dos sindicatos e associações de diversos tipos e do papel do partido, que nesse momento faz-se sentir a falta no seio do movimento contra o golpe.

A luta dos trabalhadores sempre foi num único sentido, o de unificar a classe em torno dos seus interesses e de suas necessidades, o grande obstáculo sempre foi o da sua organização. Para todos os revolucionários, Marx, Lênin e outros, sempre se considerou que a organização dos trabalhadores refletia sua consciência de classe, que não pode ser medida de maneira individual, ou seja, a consciência da classe trabalhadora de um determinado lugar está refletida na suas organizações e na política dessas organizações.

Tendo levado tudo isso em conta, pode-se começar a discutir a diferença dos sindicatos, movimentos e partidos.

Um sindicato é a forma mais rudimentar de organização operária. No começo do capitalismo, trabalhadores de uma fábrica se associavam para combater seus patrões, era o começo da consciência de classe, o trabalhador entendia que precisava disputar o seu salário com o patrão. Logo os trabalhadores viram que se organizar apenas fábrica por fábrica estava fadado ao fracasso e organizaram sindicatos por ramo e região. Nos locais onde esse processo se fortaleceu ainda mais, nos EUA por exemplo, vemos grandes sindicatos de caráter nacional, como um sindicato nacional de metalúrgicos, que tem muito mais poder do que 50 ou 100 sindicatos regionais mesmo que combinados.

Nacional ou local, um sindicato apenas defende o trabalhador contra seus patrões, no âmbito econômico do seu ramo. Com sua experiência, os trabalhadores descobriram que precisam de uma unidade de toda a classe para defender seus interesses econômicos contra a burguesia de conjunto, a greve geral de 1917 tinha esse caráter, conseguiu a diminuição da jornada de trabalho, hoje as centrais sindicais representam esse desenvolvimento.

Como a luta de classes se desenvolve pela experiência prática, já ficou bem claro que na luta de classes quem controla o Estado tem a vantagem. Os golpistas no Brasil tinham grandes dificuldades de levar adiante sua política por falta de controle do Estado, depois do impeachment a política da direita se desenvolveu com muito mais velocidade.

A questão chave da luta é quem detém o poder político. Para obter as mudanças na sociedade que o povo precisa, o povo precisa governar. Daí surge a necessidade de um partido da classe trabalhadora, um partido operário. O partido é uma organização de toda a classe operária, diferentemente das centrais sindicais, ele é uma organização programática e ideológica, com o objetivo de defender o interesse político da classe trabalhadora, lutar pelo controle do Estado.

Um sindicato engloba qualquer trabalhador de sua base, consciente ou não, isso dá a ele um caráter de frente única, mas o impede de ter uma política definida, consistente e ideológica, coisas fundamentais na luta política. O partido não funciona dessa maneira, pode agir de acordo com um programa, de maneira coerente. A mais avançada forma de luta de classes é a luta de partidos. O partido representa a fração consciente do proletariado, um grande partido operário e de massas mostra o desenvolvimento político da classe como um todo.

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