Solta o cano do Aécio que não cai, Chico Alencar!

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“Bença, dindo”, por Vitor Teixeira

Chico Alencar beija a mão de Aécio e o diferencia de Renan e Jucá“. Essa foi a manchete de uma matéria da Folha de S. Paulo, de 8 de março, descrevendo uma cena grotesca.

Depois do gesto ridículo em uma roda de conversa, o deputado teria emendado: “Você [Aécio] tudo bem, mas Renan [Calheiros (PMDB-AL)] e [Romero] Jucá (PMDB-RR), não”. Em português claro: “Beijo a mão do PSDB, mas do PMDB, não”. Disse ao jornal, em seguida, ser “um cara derramado, como ele [Aécio], aliás. Não é sinal de submissão”.  
Mas quem falou em submissão do Psol ao PSDB? Por que Alencar está se justificando?Ora, o Psol defende a Lava-Jato com unhas e dentes, “mesmo que não pegue todo mundo”, como foi dito pelo próprio Chico Alencar dessa vez, e por Luciana Genro e outros antes. A reverência feita publicamente apenas ilustrou o fato de que o Psol defende a mesma política dos tucanos, só não quer ser chamado de submisso.

Piada pronta

Foi uma “brincadeira”, disse Alencar, do Psol, no dia seguinte, em nota. “Ironia” mau compreendida. Um “erro de comunicação”, dele próprio ou da jornalista que teria presenciado a cena…

As justificativas do deputado beijoqueiro culminam com uma explicação verdadeiramente inacreditável.

Depois de beijar a mão do senador do PSDB e dizer que ele não é igual aos outros, teria Alencar feito um pequeno discurso, uma declaração solene contra “o financiamento empresarial de partidos e campanhas que o coloca na situação de investigado; e sobre a crise permanente do governo ilegítimo de Temer, do qual os tucanos são sócios e cúmplices”.

Isso é o que ele escreveu na nota do dia seguinte, tentando emendar a expansiva manifestação de carinho por Aécio.

Parece não ter sido suficiente. No fim do dia seguinte, em vídeo, Alencar foi mais incisivo, sem tirar um sorriso dos lábios: “Eu não deveria ter ido a esse jantar”. “Não deveria ter me dado a certas amenidades”. “Poderiam interpretar que estou convivendo com nossos adversários”. “Errei”…  Mas, “não são uma ou duas horas em uma noite que podem inibir uma história de vida”, disse, emendando um repeteco dos chavões do Psol contra “os podres poderes”.

In vino veritas

Outros também tentaram explicar. Alencar beijou a mão de Aécio porque é “civilizado” e estavam, ambos, “com umas canas a mais na cabeça“, disse Gilberto de Souza, do Correio do Brasil

O álcool entra, a verdade sai.

O psolista não negou que tenha beijado a mão do tucano, assim como não negou que defenda a Lava-Jato, o que faz dele um apoiador da política dos golpistas, nada mais.

A verdade, que não pode ser escondida por um desagravo, foi dita por Alencar com todas as letras: o Psol defende “uma operação policial e judicial” para “detectar a podridão” que, se for preciso “pegar todo mundo, ou ‘quase todo mundo’, que pegue!”, isto é, defende a Lava-Jato tal como está, mesmo que essa farsa política, jurídica e policial só detecte a “podridão” que interessa aos organizadores do golpe de Estado dado contra o governo do PT, ou seja, o seu querido Aécio Neves e os tucanos em geral.

Dizendo-se diferente de tudo o que está aí, Alencar não conseguiu explicar porque está, como toda a imprensa burguesa, como todos os golpistas, beijando a mão de Aécio e dos tucanos, que não são atingidos por nenhuma denúncia, aqueles que não foram derrubados pelo golpe.

O incidente revela que a ligação do Psol de Alencar com a direita não é casual. A indiscrição do deputado deixou claro que assim como reverenciou Aécio Neves pessoalmente, o Psol é um apoiador da política dos tucanos. É a ala esquerda da “República do Paraná”, justificando com apelos à “mobilização popular” uma política de total submissão à ditadura policial que a direita está tentando impor sobre o País. Como diz a marchinha de carnaval “solta o cano que não cai”. Isso quer dizer que não precisa beijar a mão dos tucanos, eles não caem.

Solta o cano do Aécio que não cai, Chico Alencar!

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