“Era o Dia Internacional da Mulher…” Aqui começa a nossa cobertura da Revolução Russa de 1917

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Rui Costa Pimenta

Editor do Diário Causa Operária Online

 

“O dia 23 de janeiro era o Dia Internacional da Mulher.” Assim começa Leon Trótski, na mais importante obra jamais escrita sobre a revolução que realiza no dia de hoje um século do seu acontecimento, a narração dos acontecimentos do primeiro capítulo do ano revolucionário que foi a Revolução de Fevereiro de 1917.

O 23 de fevereiro é, logicamente, o dia 8 de março, no velho calendário russo eliminado pelo governo revolucionário.

A partir de hoje, vamos fazer uma minuciosa “cobertura” deste acontecimento crucial da história da sociedade humana que representa o umbral entre a pré-história e a história verdadeira da humanidade no dizer de Karl Marx.

Cabe falar de “cobertura” de um acontecimento de cem anos atrás? Nosso objetivo não é apenas discutir problemas fundamentais relacionados com a Revolução, mas oferecer todas as informações possíveis, acompanhando o desenvolvimento da própria Revolução. Mereceria menos um acontecimento desta importância? Obviamente, é uma grande ambição e um desafio.

Nosso objetivo é publicar um amplo material sobre a Revolução, sobre os seus atores principais, sobre as questões políticas envolvidas nesta luta revolucionária, revisar as polêmicas mais importantes destes 100 anos.

Muito já se escreveu sobre a Revolução Russa. Nesse sentido, não estamos nos propondo a repetir determinados fatos, mas apresentar a defesa da Revolução por meio dos próprios acontecimentos, da explicação e da interpretação revolucionária, marxista deste episódio extraordinário da luta de classes.

 

A importância do estudo da Revolução

 

1917 é o principal laboratório revolucionário de toda a história humana. Diferentemente das revoluções do passado, como a grande Revolução Francesa de 1789, os revolucionários de 1917, os bolcheviques, atuaram com uma consciência dos problemas políticos até então nunca vista e nunca igualada posteriormente. Para Lênin, a Revolução Russa foi, nem mais nem menos, o “ensaio geral da revolução socialista mundial”. Desta concisa definição podemos extrair múltiplas conclusões.

Em primeiro lugar, que a Revolução Russa era apenas o começo e não o último capítulo da revolução mundial. A propaganda reacionária da burguesia procurou estabelecer que a Revolução Russa e o seu destino eram, não a primeira, mas a última palavra do proletariado mundial para que uma eventual derrota da revolução criasse o ilusionismo da inviabilidade da revolução e do futuro socialista da humanidade. Os marxistas russos consideraram o seu trabalho gigantesco como um trabalho preparatório.

Nossa segunda conclusão decorre da primeira. A importância fundamental da Revolução está em que foi o grande laboratório da revolução mundial, sendo esse o significado fundamental da idéia de “ensaio geral”. Marx indicou que a insurreição é uma arte, ou seja, que era preciso conhecer suas leis e regras para poder realizá-la. Isso significa que a revolução em seu conjunto é uma arte e como tal deve ser dominada em suas leis gerais e aspectos particulares. A Revolução Russa de 1917 revelou com toda a clareza o mecanismo complexo da revolução da nossa época e, de modo mais geral, de toda a luta revolucionária a partir de então. Este é o valor e a atualidade absoluta deste acontecimento centenário. O que temos aqui não é um monumento, mas uma escola da estratégia revolucionária.

Nestes 100 anos, não faltaram os revisionistas e inimigos do marxismo de todas as cores e plumagens para dizer o oposto, ou seja, que a importância da Revolução Russa estaria em muitos aspectos menos no fato de que seria um modelo a ser seguido. Tudo o que é necessário dizer sobre isso é que justamente esta consideração é a pedra de toque de todo o revisionismo após 1917, do stalinismo em diante.

 

Trótski e a Revolução Russa

 

Se a Revolução de 1917 é uma escola e Lênin foi o seu mestre indiscutível, o livro de Trótski, História da Revolução Russa é, acima de qualquer dúvida, o seu “livro didático” fundamental. Assim como Lênin foi o artífice da revolução, Trótski foi o seu grande intérprete. A História é a síntese de uma vasta experiência e uma ampla luta política em defesa desta obra revolucionária e dos seus princípios. Coube a Trótski mostrar a aplicação da estratégia revolucionária aos acontecimentos cruciais do Século XX: China, Espanha, França, Alemanha. Infelizmente, em meio a derrotas colossais causadas pelos revisionistas dos ensinamentos de 1917, a burocracia stalinista. Tais derrotas, que levaram às mais desastrosas consequências para a humanidade, serviram para completar a comprovação das teses leninistas, agora pela negativa.

Trótski explicou que a obra de Lênin era uma enciclopédia de marxismo. Os oitos meses de luta que conduzem à tomada do poder pelos bolcheviques em 7 de novembro (25 de outubro) são a sua culminação e, em grande medida, sua síntese.

Este é o sentido do trabalho que nos propomos a realizar em torno destes 100 anos. No decorrer do período, o leitor do Diário Causa Operária deverá ter um panorama diversificado que contribua para a compreensão da estratégia revolucionária de Lênin e Trótski e para a organização do partido da classe operária no Brasil e no mundo.

 

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