Le Pen, censurada pela UE

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Marine Le Pen, candidata da extrema-direita nas eleições presidenciais francesas e líder nas pesquisas, perdeu sua imunidade parlamentar nesta quinta-feira (2). Por ampla maioria, os deputados do Parlamento Europeu votaram pela perda da imunidade da líder da Frente Nacional. Com essa decisão, Le Pen poderá ser processada. O pedido para a suspensão de sua imunidade foi feito pela justiça francesa.

Agora, Le Pen poderá ter que responder na justiça por causa de uma postagem no Twitter. A candidata fez uma postagem em 2015 com uma foto de uma vítima decapitada do Estado Islâmico (EI). “Isso é o DAESH”, dizia a legenda da imagem, que mostrava o corpo de James Foley, fotojornalista norte-americano sequestrado e assassinado por membros do EI em 2014. A postagem era uma resposta a um jornalista, Jean-Jacques Bourdin, que comparou a retórica de Le Pen à violência do EI.

Depois de perder a imunidade por causa de uma foto postada na internet, Le Pen poderia, segundo as leis francesas, ficar até três anos presa e ser multada em até € 75 mil euros. Essa é a forma da democracia burguesa europeia combater Le Pen, que ameaça a unidade do bloco político e econômico europeu. Uma severa censura e a ameaça de uma punição desmedida por causa de uma postagem na internet.

Que o Estado possa censurar dessa forma, sob a ameaça de punições tão severas, já o caracteriza como totalmente antidemocrático. Nas mãos da própria Le Pen, o Estado francês já estaria pronto para a perseguição aos trabalhadores, às suas organizações e seus partidos. Contra a própria Le Pen, no entanto, esse não será um método eficaz de combate. A Frente Nacional representa a extrema-direita, e só poderá ser efetivamente combatida pela classe operária.

Contra Le Pen, essa perseguição pode acabar sendo favorável nas eleições de abril, colocando-a como uma candidata que se opõe ao atual regime falido. Em relação à UE, a extrema-direita também teve a oportunidade de se apresentar sozinha como contrária ao bloco, diante da confusão da esquerda europeia frente a esse problema. A perseguição totalmente desproporcional contra Le Pen por causa de uma foto postada na internet pode acabar fortalecendo sua candidatura e não servirá para combatê-la.

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