O politicamente correto como patrulha ideológica

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A submissão de um ser humano por outro não deve se limitar ao poder do dinheiro, ao controle das oportunidades de trabalho, ao controle da polícia e do Estado, mas também ao controle das mentes, quer por meio da propaganda, quer por meio de se determinar o que deve ser lido, o que deve ser escrito, o que deve ser falado e, em última instância, o que deve ser pensado.

Em um artigo publicado no Estadão (15.2.2017), um psiquiatra, Daniel Martins de Barros, trata da questão do politicamente correto da seguinte forma: é uma chatice mas está certo. Aliás, é uma chatice justamente porque está certo.

A ideia dele é falar da discussão que surgiu agora, às vésperas do carnaval, sobre as marchinhas que contêm letras que revelam algum tipo de discriminação.

O problema é que ninguém tem autoridade suficiente neste mundo para dizer o que é certo e o que é errado. O certo e o errado são conceitos morais que flutuam no tempo e no espaço.

O que nos interessa é determinar o significado do politicamente correto. O significado político. Em primeiro lugar, deixemos de lado a questão do preconceito. Todo pensamento humano é pautado em preconceitos. Todos os atos do ser humano são determinados por preconceitos. A justiça é formulada a partir de preconceitos, bem como a própria constituição da sociedade. O que sentimos e pensamos é produto do pensamento e dos sentimentos de outros que vieram antes de nós ou que conosco convive. O que damos de original aos nossos próprios pensamentos e sentimentos é muito pouco, comparado àquilo que é dado a eles por outrem.

Essa é uma discussão já encerrada pela filosofia. Sobrevalorizar a importância individual e original de nosso comportamento é ressuscitar a metafísica.

O politicamente correto nada mais é do que metafísica. Parte do princípio de um comportamento universal, inato, que representaria um supremo bem para a humanidade. Se todos utilizassem as palavras corretas na hora de formular suas ideias, o mundo seria mais civilizado, ninguém mais oprimiria ninguém, pois, se determinadas palavras forem suprimidas de nosso vocabulário, não teremos mais como formular pensamentos discriminatórios.

Ledo engano. Ou melhor, estupidez. Chicote ofende muito mais do que palavras.

Mas o pior entendimento que se tem sobre o politicamente correto é que ele está sendo imposto de cima para baixo. É a própria classe dominante e opressora que procura impor às pessoas o modo de falar.

Qualquer análise de importância sobre esse “fenômeno” deve levar em conta, antes de mais nada, as consequências. E a consequência disso não será outra que uma censura. Primeiro foram as piadas. Agora, são as marchinhas de carnaval. Amanhã, veremos a volta do índex. E, por fim, o cárcere. E não serão apenas palavras consideradas ofensivas para as minorias. Hoje, já se fala em tornar crime hediondo críticas a políticos. Há até um projeto tramitando na Câmara sobre isso.

Se hoje temos o volume de nossas vozes abafados pelo peso dos meios de comunicação em massa; amanhã, teremos as vozes abafadas até por aqueles que falam baixo.

No fim, só restará o silêncio de Macbeth.

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18 Comentários

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