“Sabatina informal” de Moraes: uma reunião um tanto intrigante

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A uma semana da sabatina pelo senador Eduardo Braga (PMDB-AM), o ministro indicado pelo golpista Temer para substituir Teori Zavascki no STF – Alexandre de Moraes – marcou presença em uma reunião um bocado, se assim podemos adjetivar, extravagante. Na noite da terça-feira (7) da semana passada, Moraes esteve presente naquilo que se chamou de “sabatina informal”, ou seja, um encontro entre sete senadores e o ministro indicado por Temer, na chalana Champagne (casa flutuante do senador Wilder Moraes).

Depois do acidente estranho que ocasionou a morte de Teori Zavascki, o golpista que possivelmente causaria problemas a Temer, uma série de outros acontecimentos da mesma sorte estranhos seguiram.

Bem, estranhos nada. Deixemos de conversa! Temer foi apenas privilegiado por uma “sorte suprema” que veio na hora exata. Sucedeu que, depois de lamentações assaz verdadeiras pela morte de Zavascki, Temer indicou alguém que pudesse suprir no STF a falta do ministro morto – eis que surge Alexandre de Moraes, ilustre figura ligada ao PSDB.

Veja-se um belo exemplo de como uma “coincidência”, para a surpresa de todos, às vezes ocorre no momento certo . Mas a coisa não para por aí; a sorte, quando vem (especialmente em momentos mais críticos), vem com gosto e atinge um conjunto de sortudos: Edson Fachin despretensiosamente acabou indo para o lugar certo, na hora certa – lugar esse que possibilitou que fosse “sorteado” para desempenhar a função de relator da Lava Jato.

Mas voltando aqui à sabatina informal, que diabos Moraes foi fazer nessa reunião com os sete senadores? A imprensa divulga o que divulgaram os que estavam na dita reunião; falou-se, segundo os que lá estavam, sobre alguns problemas envolvendo Moraes, como o envolvimento do ministro com o PCC, por exemplo.

Do que de fato se falou no encontro, ao contrário do que sugere a imprensa golpista, talvez nunca saberemos. Mas podemos ligar alguns pontos: Alexandre de Moraes ainda depende do aval da dita sabatina (que, provavelmente, ocorrerá nesta semana); da validação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ); e da aprovação do Plenário do Senado. Basta ser minimamente crítico ao se pensar a questão para perceber que tudo (e tudo mesmo!) tem conexão bastante intrigante.

É óbvio que Moraes não foi à especialíssima reunião para conversar sobre coisas sem grande valor. Sobre o mistério acerca da sabatina informal, não podemos deixar de pensar que Moraes foi fazer acordos de diversas ordens com os senadores, uma vez que deles depende para que sua nomeação seja efetivada. Não é acaso, não é sorte, não é coincidência; é o reflexo do Golpe de Estado em seu pleno desenvolvimento.

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