Preparando a intervenção militar

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Em outra ocasião, falamos que no Brasil vivemos uma ditadura cínica. Isso porque todos as garantias democráticas mais elementares estão sendo liquidados pela polícia, pelo Judiciário, com o apoio da imprensa capitalista. Pode-se contar nos dedos quantos se levantaram para denunciar o regime de intimidação e arbitrariedade que se vive no país.

Agora temos uma nova modalidade: a intervenção militar cínica. Já desde 2014, quando a direita comemorou os 50 anos do golpe de 1964, começou-se a fazer propaganda em favor da intervenção militar. Justificando esse pedido com o fato de que a Constituição permite tal intervenção, o que só significa que o regime pós-ditadura foi instaurado com um dispositivo de segurança para as classes dominantes, que permite que os militares intervenham sem que para isso precisem dar um golpe aberto.

No entanto, a população não engole nem mesmo essa intervenção militar cuidadosamente justificada e regulamentada, de modo que ela também necessita ser implementada de maneira sub-reptícia.

É o que está ocorrendo com o “caos” do Espírito Santo. A imprensa capitalista não para de divulgar vídeos e dados que comprovariam que a situação está fora de controle no Espírito Santo, o que já é uma insinuação de que algo precisa ser feito nesse sentido. Mas há algumas perguntas que precisam ser feitas. Uma delas é por que essa greve estaria gerando mais caos do que as anteriores? Afinal não é a primeira vez que os policiais fazem uma manifestação desse gênero. Além disso, por que o governo não agiu para reprimir a greve, como sempre faz em casos desse tipo? Em 2011, no Rio de Janeiro, batalhões do Choque invadiram o quartel onde estavam reunidos os bombeiros em greve, levando vários presos e acabando com o movimento pela força. Por que o mesmo não acontece agora?

Em lugar disso, os militares foram designados para patrulhar as ruas, colocando o Espírito Santo em verdadeiro estado de sítio. Contra a greve, nenhuma iniciativa real.

Apenas tentaram demonstrar a necessidade de que o exército intervenha para acabar com essa situação “fora de controle”. Mas, uma vez nas ruas, quem garante que os militares voltarão aos quartéis?

Essa não é a primeira iniciativa da direita no sentido de colocar o exército nas ruas. Ao contrário, é uma operação que vem sendo ensaiada há muito tempo, com diversas idas e vindas.

No entanto, diante do golpe das crises que o governo golpista de Temer vem sofrendo, tais como a crise nos presídios, cria-se uma situação propícia para uma intervenção militar em larga escala, o que, além do mais, seria uma evolução quase natural do golpe. Fiquemos atentos ao desenrolar dos acontecimentos.

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