Força Lula, na luta contra os “facínoras que fizeram essa maldade”

Compartilhar:

Estivemos ontem, com vários companheiros do PCO de diversas regiões, no velório de Marisa Letícia Lula da Silva, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, quando tivemos a oportunidade de apresentar ao ex-presidente Lula nossa solidariedade e os votos de força para enfrentar este momento difícil.

Milhares de pessoas passaram pelo Sindicato, para saudar Lula e Marisa, que se conheceram naquela entidade e foram casados por 43 anos.

Depoimentos de mulheres e homens que atuaram no Sindicato nos combativos anos finais da ditadura, quando os metalúrgicos foram a vanguarda da luta contra o regime militar – bem como o ex-presidente -, lembraram a origem humilde de Marisa, que começou a trabalhar aos 11 anos como empregada doméstica, tornando-se  pouco tempo depois operária de uma fábrica de doces. Destacaram seus primeiros momentos junto ao Sindicato, o namoro com Lula, a partir de 1973 (quando ambos eram viúvos) e sua participação na coordenação da passeata de mulheres organizada, em 1980, para reivindicar a libertação dos dirigentes sindicais metalúrgicos presos pela ditadura militar.

Não faltaram relatos do seu papel de mãe de 4 filhos, Fábio, Sandro, Luís Cláudio e Marcos (este do primeiro casamento, adotado por Lula) e de seu papel importante no apoio à trajetória política do ex-presidente que, segundo ele, não pode acompanhar o nascimento de nenhum dos filhos do casal, sendo Marisa a “mãe e pai ao mesmo tempo” e tudo mais que lhes era preciso, sem reclamar e mostrando enorme compreensão e solidariedade com a atividade política de Lula.

Mas as lembranças não foram apenas positivas. Como destacou – dias atrás – a ex-presidenta da República, Dilma Roussef, deposta pelo golpe de Estado e também presente ao velório, o casal Marisa e Lula “foram vítimas de perseguições e experimentaram na pele grandes injustiças”, nos últimos meses.

Nas palavras de Lula, “Dona Marisa morreu triste com maldades que fizeram com ela”. Dias antes, diante do AVC da esposa, ele assinalou,diante de um encontro de atingidos por barragens, que “a pressão e a tensão fazem as pessoas chegarem ao ponto que a Marisa chegou. Mas isso não vai fazer eu ficar chorando pelos cantos. Vai ficar apenas batendo na minha cabeça, como mais uma razão para que a luta continue”.

Como relataram vários médicos e especialistas (que não foram transformados em besta-feras pela ideias reacionárias da direita, como os que desejaram e até comemoram a morte da ex-primeira dama), a perseguição implacável,  o estado de tensão provocado pela campanha de calúnias e acusações sem qualquer prova contra ela própria e toda a família de Lula, foram a causa principal do estado de debilidade física que provocou a morte de Marisa Letícia, aos 66 anos.

Os milhares de militantes que lá compareceram e centenas de milhares de outros espalhados pelo País, bem como um número crescente de trabalhadores e jovens que vão tomando uma consciência cada vez maior da situação, expressaram nas mais diversas formas – ou gostariam de fazê-lo – um profundo sentimento de afeto e solidariedade a Lula e o desejo de que este tenha forças e determinação política para superar este momento difícil e participar da luta contra o golpe e na defesa das reivindicações dos explorados e de todo o povo brasileiro.

Lula parece ter encontrado forças nessa enorme solidariedade, natural e espontânea que o cercou e que se diferencia da farsa armada diante da morte de políticos ou familiares de elementos da burguesia, promovida pela imprensa burguesa que apresenta como “homens de bem”, verdadeiros canalhas que dedicaram suas vidas à causa próprias e à defesa dos interesses de uma minoria contra a maioria. Com ela, expressou seu propósito de lutar contra o que corretamente classificou como “os facínoras que fizeram essa maldade” e dizer em suas últimas palavras diante do corpo da companheira de mais de quatro décadas que “vai continuar lutando muito para defender sua honra e sua imagem”.

O ex-presidente, expressou novamente uma idéia que parece nortear – em certa medida – sua trajetória: “Sou o resultado da consciência política dos trabalhadores brasileiros”, acrescentando que quando o povo evolui, ele também evolui.

A imensa maioria do povo brasileiro, se vê sob intenso ataque dos golpistas que intensificam como nunca  a opressão de um regime em que seis famílias, concentram em suas mãos a renda equivalente ao que dispõem mais de 100 milhões de pessoas. Diante do golpe de Estado milhões estão sendo lançados no desemprego, tendo suas conquistas de décadas ameaçadas (como a liquidação da CLT e o fim das aposentadorias), a repressão cresce provocando milhares de mortos nas periferias e nos presídios, entre os trabalhadores, de maioria jovens e negros e o regime golpista busca avançar sobre os direitos democráticos de todos os explorados.

Diante desta situação, mais do que nunca os trabalhadores, em geral, e particularmente, seu pelotão de vanguarda, a classe operária, precisa evoluir para posições de independência de classe, de superação da política de conciliação com burguesia – que se mostra – impotente para até mesmo preservar conquistas realizadas em décadas de luta. Esta evolução precisa ser impulsionada por um amplo trabalho de agitação e propaganda entre os trabalhadores, da luta pela sua organização independente da burguesia e pela sua mobilização com seus próprios meios de luta. Esta evolução, se processa sempre (e está se processando) em boa medida pela experiência prática dos explorados com seus algozes, mas necessita (e muito) para ser eficiente e permitir um salto de qualidade que garanta uma transformação profunda na situação, de um trabalho consciente e organizado, dos próprios trabalhadores por meio de suas organizações de luta, fundamentalmente do partido operário, revolucionário.

Neste momento, a tarefa central, nesta perspectiva de evolução revolucionária, é agrupar amplas camadas de todos os setores que desejem lutar, agir, mobilizar pela derrota do regime golpista e de suas ações “fascínoras”  contra o povo brasileiro. Formar comitês de luta contra o golpe e pela anulação do impeachment. Nada de esperar (por 2018, pela burguesia etc.), evoluir no sentido da independência de classe.

Força, companheiro Lula e a todo povo brasileiro.

artigo Anterior

Uzwela, uma conversa sobre música e política com Luciano Morais

Próximo artigo

Governo golpista não tem apoio popular

Leia mais

1 comentário

  1. I’m commenting to make you be aware of of the helpful discovery our daughter encountered viewing your web page. She learned some issues, which include what it is like to have an excellent coaching character to make many people quite simply master various grueling issues. You undoubtedly exceeded people’s expected results. Many thanks for churning out those important, dependable, edifying and in addition cool guidance on that topic to Kate.
    ashley stewart promo code http://www.ashleystewartcoupon.com/listing-category/ashley-stewart-promo-code

Deixe uma resposta