Política de Trump na Síria expõe crise do imperialismo

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Nesta segunda-feira (23), dois pronunciamentos oficiais apontaram uma possível mudança de política dos EUA na Síria imediatamente. De manhã, o exército da Rússia anunciou uma operação conjunta com os EUA para atacar o Estado Islâmico (EI) em território sírio. Mais tarde, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, negou essa informação, mas afirmou que o novo governo não descarta esse tipo de operação: “Se há um meio para combater o Estado Islâmico com qualquer país – seja a Rússia ou seja outro – e se compartilhamos um interesse nacional sobre a questão, então, claro que somos a favor”.

Foi a primeira coletiva de imprensa de Spicer, no marco do início da presidência de Donald Trump. O novo presidente, segundo Spicer, “disse muito claramente que trabalhará com todo país que compartilhar nossos interesses na derrota do EI”.

Isso pode representar uma mudança de política em relação à política que vinha sendo adotada anteriormente. Sob o governo de Barack Obama, os EUA alimentaram o crescimento do EI na Síria e permitiram seu avanço com o objetivo de derrubar o governo da Síria, aproveitando um início de revolta popular contra o presidente Bachar Al Assad no momento da Primavera Árabe.
Ao aceitar agir com os russos na Síria, o imperialismo estaria admitindo abandonar o objetivo de derrubar Assad. Essa não era a política dos setores mais fortes do imperialismo, bancos e mercado financeiro, durante as eleições. Hillary Clinton possivelmente já se preparava para medidas drásticas contra Assad, até mesmo uma invasão de um país estrangeiro e uma nova ocupação militar.

O fato de que Trump chegue à presidência e de que possa mudar a política na Síria dessa maneira expõe a crise da dominação imperialista no Oriente Médio. Por outro lado, caso os EUA passem a colaborar com os russos na Síria, seria uma forma de manter sua intervenção na região, depois do fracasso da tentativa de derrubar Assad. Essa crise é um desenvolvimento da derrota no Iraque, que obrigou o imperialismo a fazer acordos com o Irã e com os xiitas em 2007, para evitar um fiasco militar completo.

Atualmente, a influência do Irã se extende do Iraque ao Líbano, passando pela própria Síria. O fiasco no Iraque está diretamente relacionado ao colapso econômico do imperialismo em 2008, uma crise que também continua se aprofundando da qual a burguesia não encontra uma saída.

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