Trump: imperialismo em nova etapa de crise

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Neste sábado (20), tomou posse do cargo o mais novo presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump.

Contrariando o principal setor do imperialismo e, até mesmo, seu próprio partido, que tinha a democrata Hillary Clinton como sua principal candidata, Trump se elegeu prometendo uma mudança na política externa do País, tornando-a menos agressiva, com menos guerras ao redor do mundo e sem invasões. Se ele realmente levará adiante essa política, é difícil saber e até mesmo improvável que consiga contrariar frontalmente os interesses imperialistas. O fato é que, seu discurso expressa uma contradição entre setores dos capitalistas mais importantes e um setor mais voltado aos interesses norte-americanos que vê a política externa como prejudicial para seus negócios.

É isso o que explica também a campanha do republicano durante todo o período eleitoral, de uma demagogia “nacionalista”, baseando-se na defesa dos empregos: “teremos duas regras, compre americano e empregue americano”, afirmou Trump.

Seus discursos de extrema-direita, anti-imigrantes, de ataque às mulheres e negros, foram usados por sua adversária e a imprensa imperialista nas eleições para promover campanhas acusando-o de machista, xenofóbico etc. No entanto, o real problema de Trump para estes setores imperialistas ligados a Hillary Clinton não é nem de longe os ataques às camadas oprimidas da sociedade. O republicano apresenta uma cartilha protecionista, entrando em contradição com a política de intervenção e golpes nos países atrasados, com vista a dominar tais mercados. A campanha de todo o principal setor imperialista contra Trump é apenas demagogia na tentativa de derrotar o adversário, somente um incauto poderia acreditar que a política reacionária de Clinton e John Kerry é de defesa das mulheres, dos gays e dos negros, de um ponto de vista geral e concreto, os capitalistas que estão por trás das intervenções em vários países produzem massacres contra povos inteiros.

A esquerda pequeno-burguesa, como sempre, se alinhou à campanha imperialista contra Trump e acabou novamente numa frente única pró-imperialista.

Quando Trump apresenta seu “nacionalismo”, contra os imigrantes, prometendo construir muros etc., este nada mais significa que um programa demagógico centrado na economia norte-americana. Isto acontece pois o republicano, que vem de um setor secundário da burguesia norte-americana, se prejudica com as guerras e intervenções feitas pelo País e é exatamente isto que leva aos ferrenhos ataques dos setores ligados aos banqueiros e o capital especulativo, os quais lucram com a política intervencionista norte-americana.

Hillary Clinton, por sua vez, era a candidata da guerra, da política mais agressiva contra os países atrasados, apoiada na Wall Street, no capital especulativo e banqueiros. Sua derrota é a mais profunda demonstração do regime imperialista em definhamento, que já não consegue manter o domínio sobre o processo político. Por suas várias demonstrações de descontentamento com a vitória do republicano, caso o imperialismo não consiga conciliar-se com Trump, não se pode descartar a possibilidade de um golpe que o derrube, aproveitando-se também da política direitista do novo presidente.

Acompanhando sua posse, vários protestos se deram contra o novo presidente. Tais manifestações são fortemente alimentadas pelos democratas, que colocam todo um setor confuso da esquerda e dos movimentos sociais a reboque.

Se Trump é ruim, Hillary Clinton também não seria melhor e, em certa medida, sua política de guerras seria até pior para o mundo inteiro. Para intervir nesta crise do imperialismo realmente sem ser levado pela campanha falsa do imperialismo, é preciso uma alternativa real para a classe operária, um partido apoiado nos sindicatos. Esta reivindicação essencialmente política é o único meio pelo qual a esquerda poderá apoiar-se integralmente contra o regime imperialista de conjunto.

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