Trump: o candidato que não podia ser eleito

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Dia 20 de janeiro o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, tomará posse do cargo, tornando-se o 45º presidente do País. Um ano antes, a pouco tempo do início das eleições primárias do Partido Republicano, Trump era tratado pela imprensa norte-americana como um pré-candidato improvável. Em junho e 2015, quando anunciou que entraria na disputa, Trump foi tratado pela imprensa como uma piada e um candidato absolutamente “inviável”. Por todo o mundo, os jornais de grande tiragem reproduziam essa “avaliação”. Na verdade, não se tratava de uma avaliação de fato, mas de uma campanha, repetida sempre nas primárias norte-americanas contra determinados candidatos. Todo candidato rejeitado pelos aparelhos partidários, seja entre republicanos ou democratas, é apresentado como “inviável”, e normalmente torna-se “inviável” de fato.

Dessa vez, no entanto, a manobra não funcionou. A eleição saiu de controle, com um candidato de fora do aparato partidário impondo sua nomeação como candidato, e depois sua eleição. A campanha contra Trump era uma campanha contra uma mudança de política. O mercado financeiro e os bancos opunham-se às suas propostas protecionistas e nos EUA. Por isso a esmagadora maioria da imprensa capitalista atacava a candidatura de Trump, que representava também uma crise política do regime norte-americano. Assim, a própria imprensa fabricou a grande “surpresa” que teria com a vitória do republicano, que era apresentada como se fosse algo impossível.

O Partido Democrata, que concorreu com Hillary Clinton, também teve essa mesma crise interna. A candidata do aparato partidário, dos bancos e do mercado financeiro, era Hillary, mas sua nomeação foi seriamente ameaçada durante as primárias por Bernie Sanders, que tinha uma série de propostas muito à esquerda de qualquer candidato que os democratas já apresentaram. Vazamentos do Wikileaks revelaram que o comitê nacional do partido estava fortemente empenhado em evitar uma vitória de Sanders, em proveito de Clinton.

Os candidatos supostamente “viáveis” pelos republicanos, como Jeb Bush, derrotado no começo do processo, eram parecidos com Hillary, com um programa parecido com o de Hillary. Como em muitas eleições anteriores, o sistema bi-partidário dos EUA não apresentaria nas eleições nenhuma escolha real para os eleitores. Com o aprofundamento da crise capitalista, no entanto, depois do colapso neoliberal, essa política entrou em crise e sofreu duros golpes em 2016, com o Brexit, e depois com a bomba da vitória de Trump. Barack Obama, deixando o cargo, também expressava essa mesma crise quando foi eleito em 2009, mas manteve o política neoliberal.

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