Princípios, programa, partido

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Por que estudar o Programa de Transição?

A resposta a essa pergunta é dada cotidianamente pela atividade de um partido operário e revolucionário. Um partido precisa de uma compreensão clara, o que não se resume à formulação de teses teóricas gerais, na exposição de verdades e generalidades. Um partido precisa de um programa, isto é, o balanço da experiência mundial, econômica e política, do último período, e em particular da luta revolucionária. O partido depende da maneira como seu programa compreenda e julgue esses fatos.

Há aí, no meio da esquerda que se pretende revolucionária, em todos os seus matizes, elementos para uma confusão profunda.

Enquanto indivíduos e correntes centristas atuam sem ter como base princípios teóricos sólidos, coordenadas fundamentais por meio das quais orientam sua atividade, os sectários se aferram a seus “princípios”, negando a realidade. Tanto centristas quanto sectários atuam sem programa quando não apresentam em seu lugar um amontoado de frases soltas e colocações gerais. Esse expediente comum – a elaboração de uma política sem princípios – resulta na ausência de uma política real e na paralisia total.

Trótski, no artigo “Sectarismo, centrismo e a Quarta Internacional”, dá uma definição fundamental sobre esse problema.

” Quantas vezes não encontramos com um centrista satisfeito que se intitula “realista”, simplesmente porque se lança a nadar sem nenhuma bagagem ideológica e se deixa levar por qualquer corrente passageira. É incapaz de compreender que para o nadador revolucionário, os princípios não são um peso morto, mas um salva-vidas. O sectário, por sua vez, geralmente não quer nadar para evitar que molhem os seus princípios. Se senta na margem e pronuncia conferências moralizantes ante a torrente da luta de classes. Mas, de tanto em tanto, um sectário desesperado se joga de cabeça na água, se agarra ao centrista, e ambos se afogam. Assim foi; e assim será sempre.”

Do que, pode-se concluir, é que antes de dispensar o salva-vidas convém saber se sabe nadar, se o fundamental da teoria revolucionária foi bem compreendido, se o método foi bem assimilado e é bem aplicado. Isto é, se a “bagagem ideológica” é suficiente para manter um partido, sua política, sua ação.

O que Trótski assinala nessa passagem é justamente a oscilação, nas fileiras da IV Internacional, na década de 30, entre dois extremos: o do abandono completo dos princípios (pelos centristas) que deixam pessoas e organizações à deriva, à mercê das “correntes passageiras”; e o sectarismo que evita a luta política e a ação revolucionária em nome de preservar seus “princípios” (o que não impede que, de quando em quando, um sectário se lance na água).

Em nossa luta pela construção do partido mundial da revolução proletária, devemos evitar tanto uma coisa, quanto outra. E os princípios, nesse sentido, o programa e a teoria revolucionária, não são um peso morto (muito pelo contrário!). Não devemos nos atirar em um mar agitado sem salva-vidas.

Destaco ainda outra citação, de alguém muito autorizado a falar em princípios (o autor não só do catecismo “Princípios do Comunismo”, mas de outras obras fundamentais do marxismo), Friedrich Engels, que escreveu na sua polêmica com o professor idealista Dühring que:

“Os princípios não são o ponto de partida da investigação, mas seu resultado final, e não se aplicam à natureza e a história humana, mas são abstraídos delas; não são a natureza nem o reino do homem que são regidos segundo princípios, mas estes são corretos na medida em que concordam com a natureza e a história. Essa é a única concepção materialista sobre o assunto”.

É nesse sentido que entendemos o problema dos “princípios” e por esse motivo que estudaremos o Programa de Transição na próxima edição da Universidade de Férias do PCO. Um partido operário e revolucionário precisa compreender profundamente a teoria do socialismo científico, isto é, do marxismo, para atuar e se desenvolver no terreno concreto da luta de classes.

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